maio - 22 - 2015 | 2 comentários

Dia 17 de maio foi meu terceiro “aniversário” de final de tratamento. Em 17 de maio de 2012 terminei o ciclo de 8 quimioterapias que tirou o câncer de mim. Desde que fiquei doente, iniciei o tratamento e comecei o blog diversas pessoas me perguntam: o que mudou? Minha resposta hoje é diferente da minha resposta de 3 anos atrás. Lá, eu ainda não tinha muita consciência do que tinha mudado… ou mesmo certeza se tinha mesmo mudado alguma coisa. Eu dizia que as coisas que normalmente as pessoas respondem como dar valor à família, aos amigos de verdade e às pequenas coisas e alegrias do dia a dia, prestar mais atenção à saúde, refletir sobre a vida e sobre quem quer ser de verdade… todas essas coisas eu já tinha dentro de mim. Hoje eu sei o que mudou: eu sou muito mais forte, muito mais capaz de enfrentar dificuldades, muito mais compassiva quando vejo o sofrimento de outras pessoas e muito mais ativa quando percebo que preciso mudar alguma coisa na minha própria vida. É isso que mudou: eu me fortaleci. Eu era uma menina, hoje sou MULHER – com todas as letras maiúsculas mesmo. Ainda mais depois que me tornei mãe, mesmo depois de tantos médicos me dizerem que isso não iria acontecer.

Muitas vezes me pego pensando e nem parece que tudo aquilo foi comigo… olho algumas fotos e parece tudo tão distante! E muitas vezes nem quero lembrar. Mas é bom! É bom lembrar de tudo de tempos em tempos, lembrar de como somos muito mais fortes do que supúnhamos e como qualquer problema que possamos enfrentar agora pode ser pequeno.  É bom lembrar de quem estava sempre do nosso lado, tornando nossa jornada mais leve. É bom lembrar como temos que realmente dar valor ao hoje, às pessoas, à saúde e à vida em geral. Senão, vamos entrando novamente na “roda da vida” e nos esquecendo de como quase tudo que pode nos fazer sofrer é efêmero.

Outra coisa importante é a nossa integridade, a nossa lealdade à nossa própria verdade… consciência tranquila, sabe? Se a pessoa fica doente mas tem a consciência tranquila quanto à vida que leva fica tudo tão mais fácil… sem tantos remendos a fazer, coisas a consertar, pessoas a perdoar ou pedir perdão… Antes de descobrir o câncer eu ficava magoada com muitas coisas e com muitas pessoas. Hoje, sei que isso é perda de tempo e que a maior prejudicada com isso sou eu mesma. O perdão faz bem muito mais a quem perdoa do que a quem é perdoado, traz leveza, liberdade para seguir em frente com a vida sem ficar remoendo coisas do passado. Aliás, muitas vezes o “perdoado” nem sabe o quanto você sofre ou sofreu com o que ele fez! Já parou para pensar nisso? E você fica lá, “perdendo vida” remoendo enquanto podia estar “gastando vida” com coisas bem melhores e mais preciosas. É… depois que eu tive câncer eu penso muito nesses termos: ganhando vida versus perdendo vida. Ganhamos vida fazendo coisas que nos fazem feliz e que são justas para nós. Perdemos vida com picuinhas, mágoas, ressentimentos, preocupações e atitudes que não refletem nossa verdade. Trabalho nisso frequentemente e tenho certeza que tenho melhorado, mas tenho ainda mais certeza que ainda tenho muito a melhorar!

Muitas vezes me pego pensando sobre qual é a minha missão, meu propósito na vida, especialmente com este blog que tanto ajudou pessoas passando por momentos difíceis. Sou muito grata pela oportunidade de ter podido ajudar dessa maneira, estando a serviço de um bem maior… Tenho gravado vídeos ensinando meditações, fazendo reflexões e estimulando reflexões nas pessoas… mas porque? Por que quero ajudar as pessoas a ganharem vida mais do que perdê-la aos poucos, mesmo sem estar doente. Quero ajudar as pessoas a transformarem momentos difíceis exatamente nisso: momentos. Quero justamente ajudar as pessoas a se fortalecerem diante das dificuldades ao invés de se tornarem vítimas passivas delas. É isso que eu quero, é esse o meu sonho. Eu consegui passar por um momento difícil na minha vida com leveza e tenho muita vontade de ajudar as pessoas a fazerem o mesmo. É claro, não é tão simples quanto parece, mas se eu conseguir melhorar a vida de uma só pessoa já terá valido a pena. Como eu digo sempre, essa possibilidade me dá um certo motivo para tudo que passei. E eu penso nisso tudo justamente em momentos como esse, o terceiro aniversário sem quimioterapia.

Lembranças… esse videozinho é feito de lembranças desde a primeira internação até o momento em que comemorei os últimos exames que mostraram que meu tratamento poderia se encerrar ali (lembrando que ainda faço exames de controle por mais dois anos 😉 .



2 Comentários até agora.

  1. Patricia f braga silva disse:

    Lindona vc nem imagina como me ajudou a superar a minha doença !!! Sou muito grata e fico imaginando quantas mais vc ajudou mesmo sem saber !!! Foi muito importante suas dicas seu dia a dia , como amarrar o lenço , seu progresso e sua cura e ver a benção da sua filhota linda ! Me enche de orgulho !!! Obrigada

  2. Heloisa Oliveira disse:

    Oi Helo. Lindo seu post! Havia lido assim que você postou. Adorei! Dia 28 de maio foi o dia que sai do hospital,da ultima internação para nunca mais voltar,como meu pai disse. Abril e maio foram meses muito importantes para minha vida. Beijos e que Jesus Cristo te abençoe demasiadamente. Você é uma pessoa da qual me inspiro muito,sempre me lembro de você. Beijos