agosto - 6 - 2015 | 5 comentários

Oi pessoal! Quem me segue no insta viu que eu postei no dia 30 de julho um desafio: ficar 30 dias sem falar mal de ninguém. Eu fiquei brava com uma coisa, liguei para a minha mãe para “desabafar” (um hábito familiar que deveria acabar, aliás) e ela me disse; “você está muito chata, só reclama!”. Credo! Odiei ouvir isso dela, até porque não era verdade hahahahaah (brincadeira, se ela disse isso alguma verdade deve ter, não?). Ela nem sabe, mas nesse mesmo dia, que aliás era dia de Lua Cheia, quando naturalmente ficamos mais sensíveis e com as emoções à flor da pele, tomei essa decisão: ficar 30 dias sem falar mal de ninguém.

Eu acho que não sou daquelas pessoas que fica falando mal de todo mundo. Especialmente não faço comentários maldosos, tirando sarro, sabe? Odeio isso e evito ao máximo dos máximos. Mas eu “comento” coisas que aconteceram e que não gostei, por exemplo, ou que achei “estranho”. Morro de tirar sarro da minha mãe porque quando ela diz que algo é “estranho” ela na verdade quer dizer que é péssimo kkkkk… Comento, por exemplo, quando a empregada fez algo errado. Comento com o marido quando a minha mãe fez algo que me irritou (ou vice-versa kkk). Enfim… Eu sabia que aprenderia nesses 30 dias, mas não imaginava que fosse tanto.

Sempre lutei para ser uma pessoa do bem e, claro, ficar falando mal dos outros não combina muito com isso. Quando fiz o treinamento de Naam Yoga no México, Dr. Levry dizia o tempo todo: “don’t gossip, don’t gossip, don’t gossip”, ou seja, “não fofoque, não fofoque, não fofoque”. Naam Yoga é a yoga da palavra, união de yoga com kabbalah universal, foca muito na força do que dizemos, no caráter sagrado da nossa boca: dela só devem sair palavras que elevem! Ou seja, desde esse treinamento eu sabia que precisava parar de vez com esse hábito de “comentar”. Mas nunca me lancei um desafio tão forte e não imaginava que fosse tão bom para o auto-conhecimento e evolução espiritual. Uma das minhas dificuldades em começar era: defina exatamente “fofoca” kkkk… O que exatamente é “falar mal dos outros”? Contar alguma coisa que aconteceu e que te desagradou conta? Não conta? Então, mudei a pergunta: o que eu vou dizer traz alguma vantagem? Para mim, para alguém? O que eu vou dizer serve para elevar? Serve para o bem? Senão, fico quieta.

Nos primeiros dias não foi um desafio tão grande. Mas note, ainda se foram só 7 dias! Nada de muito “grave” aconteceu, ou algo que me irritasse demais. Depois de uns três dias as coisas começaram a ficar um pouco mais difíceis. Uma pessoa falou uma coisa que me irritou muito, e é aí que se dá o crescimento. Eu poderia contar para o Marcelo, por exemplo. Ou para a minha mãe, que são meus dois maiores “confidentes”. Mas… em que isso resolveria a questão? A pessoa voltaria atrás e retiraria o que disse? O Marcelo pediria para a pessoa mudar de ideia? Nada disso aconteceria. Então porque sentimos uma necessidade tão grande de “contar”? Quando “contamos”, estamos praticamente “comparando”: essa pessoa fez isso então ela é uma chata/ uma horrível/ uma ciumenta/ uma invejosa/ uma o-que-quer-que-seja. E eu não, eu não sou assim – sou superior. Estamos nos colocando como melhores, estamos querendo nos validar, mesmo que inconscientemente. É como se precisássemos disso, mas porque? É o nosso EGO que precisa disso. É ele que nos faz fazer isso, sem lembrar que somos todos um, que Deus é amor, que o outro é nosso irmão e que é diferente de nós e que faz coisas que às vezes nos desagrada mas na maioria das vezes é sem querer.  Nosso ego acha que só temos valor se formos melhor que alguém. Mas não, para Deus somos todos seus filhos, somos todos amor, somos LUZ. E essa é outra pergunta que eu me faço: se eu falar isso ou aquilo, estou sendo luz? Estou levando luz a alguém? Ou estou “apagando a luz”? É incrível como essa perguntinha é esclarecedora e transformadora. Todas as vezes que eu pensei nela, desisti de falar. E isso é muito life-changing, é muito transformador. Sabe por que? Porque temos que arranjar outros assuntos. Temos que mudar nossos hábitos e nossa maneira de nos relacionarmos com os outros.

Uma outra coisa interessante quando eu vou “contar” (falar mal dos outros kkk) é o seguinte: a pessoa que vai ouvir merece ser depositário do meu “lixo”? Isso vai melhorar a vida dela? Ou vai piorar? Lembrando que nossas palavras são energia, quando dizemos coisas ruins estamos piorando a energia em volta de nós. A pessoa que vai ouvir merece que “roubemos” as boas energias do seu redor? E aí vem ainda uma outra observação: quando eu me fiz o desafio, ele incluiu que eu não ia falar mal de ninguém, mas também não ia ouvir. Isso, inicialmente, foi mais como uma “vingança” para a minha mãe kkk (eu confesso meus podres aqui), tipo: você também reclama, então já que não quer mais me ouvir reclamar eu também não vou te ouvir reclamar. E voltamos nas questões anteriores e principalmente nessa: mudamos nosso padrão de relacionamento – para muito melhor. Paramos de precisar diminuir alguém para, diante do nosso interlocutor, parecer “mais legal”. Deixamos nosso ego de lado um pouquinho e passamos a gostar mais da aprovação de Deus (e de ter a nossa alma mais leve) do que da de qualquer outra pessoa. E é importante nos armarmos de estratégias para “impedir delicadamente”, com inteligência, que as pessoas ao nosso redor nos usem como “depositários do seu lixo”. Isso é um ponto em que ainda estou trabalhando.

Como eu disse, ainda estou só no dia 7 e já refleti esse montão de coisas. Recomendo para todo mundo. Pode ser 30 dias, 3 dias, 7 dias, um ano… Depende de cada um. Mas seja quantos dias forem, com certeza será transformador.

Falando de novo do meu treinamento em Naam Yoga no México, quando fiz uma consulta com Dr. Levry, ele me perguntou: “você está pronta para servir?”. Respondi um “sim” super hesitante. Ele percebeu: “tem certeza?”. E eu: “não”. Tinha ainda muitas dúvidas sobre o significado real dessa palavra SERVIR. Hoje, exatos dois anos depois, minha percepção já mudou muito e eu entendo que cada ato do meu dia pode ser uma forma de servir. Se ele me perguntasse hoje, eu responderia diferente: “estou pronta para tentar, mas ainda preciso de muita ajuda!” kkk sinto que tenho muito a evoluir nesse sentido. Mas esse desafio me mostra um pouco mais de como servir pode estar escondidinho nos nossos atos mais simples, como pensar melhor antes de falar mal de alguém e resolver simplesmente não falar. Assim, estou sendo um instrumento de luz e de amor ao invés de um “sopro” que vai tentar apagar um pouquinho da vela, sabe?

Essa semana estou na praia de férias com o Marcelo e a Marianinha. Êita desafio esse de não fazer comentários sobre os biquinis e comportamentos alheios, viu? kkkkk… Praia e férias são terrenos muito propícios para fofocas, não é? Como eu disse, é uma transformação e tanto, mudamos nossa forma de pensar, mudamos nossos relacionamentos. Estou me sentindo muito melhor, uma mãe melhor e um ser humano melhor. Ainda faltam 23 dias e vou contando para vocês, ok? E quero ver comentários, saber se já tentaram e como foi!!! Vou adorar saber.

Beijos mil, bom rostinho de semana!

Helô

5 Comentários até agora.

  1. Greice disse:

    Muito legal seu propósito, e a forma “leve” como você encara isso.
    Sinceramente, acho que não falar ‘mal’ de ninguém não é o mais difícil. O mais difícil é conseguir neutralizar esses sentimentos e pensamentos dentro da gente. O exemplo comentar/criticar pessoas na praia ok, é dispensável. Mas não desabafar com a mãe ou com marido quando alguma coisa nos chateia pode ser nocivo. Se não neutralizarmos essa energia dentro de nós e apenas a prendermos, pode ser muito prejudicial. Aí que acho mais complicado…
    Eu convivo com algumas pessoas próximas que não conseguem conversar 3 minutos sem criticar e julgar alguém. É muito difícil, mas tiro de exemplo como o tipo de pessoa que não quero me tornar, da energia que não quero circular. Adorei seu texto, espero que venham outros dessa experiência, me manterei conectada com o seu propósito. Beijos.

  2. Heloisa Orsolini disse:

    Oi Greice! Já te respondi por email, mas vc tocou num excelente ponto. Vou falar dele num próximo post comentando os “desafios do desafio” rsrsrs… Concordo com vc, muitas vezes contar coisas ruins que nos aconteceram é super necessário!
    Bjss

  3. Yasmim disse:

    Oi Helô,
    tenho me cobrado bastante em relação a isso tbm. Um bom exemplo e que se encaixa com o que você falou é como o filtro de Sócrates: verdade, bondade e utilidade!
    Ou seja, se o que vai dizer é verdadeiro, se é alçgo bom e se tem alguma utilidade! Acho que temos muito a evoluir nesse sentido! Be kind 🙂

  4. Thelma Orsolini disse:

    Querida filha, parabens pela suacspacidade de refletir e de se expressar. Parabéns por ser uma pessoa que busca o credcimento sempre, esse crescimento inclui o lado pessoal, profissional, espiritual. Acho wue farei tb esse proposito de maneira seria e continuada. Te amo e te admiro. Deus te abençoe.

  5. Lauriele disse:

    Oi, boa tarde. Após ver o seu post sobre o desafio, resolvi que deveria tentar… Como é difícil!!! Comentei com meu marido o quanto é difícil, e fazendo isso percebi o quanto eu erro em comentar ou reparar certas coisas que não tem necessidade, não são com maldade, mas são desnecessários. Tentei no primeiro dia, e sem querer escapou um comentário sobre uma atriz que estava com os dentes “estranhos” num programa de tv, então eu parei e iniciei a contagem dos dias novamente, estou me esforçando ao máximo, mas confesso que imaginei ser mais fácil, completei três dias depois da recontagem e comentei algo novamente, depois que eu presto atenção no que falei, eu fico triste comigo mesma por não ter conseguido, mas continuo com minha meta e vou conseguir os trinta dias! rsrs. Obrigada Helô, pela iniciativa que me inspirou a fazer o mesmo, tens toda minha admiração. Beijos com carinho.