dezembro - 30 - 2015 | comente

Oi gente! No último post falei bastante sobre essa fase de recolhimento que é o puerpério e questionei o quanto quero, posso, estou disposta a expor a minha vida e a da minha família nas redes sociais. Quero aproveitar para falar um pouquinho mais sobre isso.. Eu acredito firmemente – e defendo muito isso – que cada um tem o poder de saber o que é melhor para si. Cada pessoa tem uma personalidade e um conjunto de crenças e valores que a levou a escolher seu marido/ esposa, sua profissão, a maneira de criar seus filhos e viver a sua vida. Por isso, sou muito contra palpites aleatórios impositivos, ou seja, aqueles: “você devia fazer assim ou assado”, “você tem que fazer isso!”, “fazer assim é muito melhor”. Melhor para quem? De novo, cada um tem que saber o que é melhor para si – e não o que é melhor para os outros, certo? Acho que sim, podemos expressar nossas opiniões, contar quais foram as nossas escolhas e como elas funcionaram ou não para nós, com respeito, sem intromissão. Ou seja, não temos o direito de achar, julgar e dizer que porque funcionaram para nós vão funcionar para outras pessoas. Antes de dizer isso, teríamos que conhecer em profundidade a outra pessoa e todos os fatores que fazem parte da sua vida, e geralmente não conhecemos, não é? Pois é, é justamente isso que acontece hoje com as redes sociais. Expomos nossas vidas e as pessoas se sentem no direito de impor suas opiniões de forma desrespeitosa, achando que a internet dá esse direito… Eu tenho alguns limites com relação a essa situação toda e por isso muitas vezes prefiro não expor tanto. Mas aqui faço novamente a ressalva: somos todos diferentes. Algumas pessoas optam por se expor e estão dispostas aos comentários invasivos e desagradáveis que podem receber, sem se importarem tanto com isso – ótimo! Outras pessoas estão menos dispostas e optam por menos exposição. Ninguém está certo ou errado, simplesmente são diferentes. Não podemos deixar de viver nossas vidas ou de nos expressarmos por medo do que os outros vão dizer ou pensar, mas cada pessoa tem que saber os limites da sua exposição. Particularmente, eu opto por expor algumas coisas e não outras pensando no que eu ou outras pessoas envolvidas gostariam de ver exposto daqui a alguns anos. Agora, vou dar uma opinião que pode ser um pouco controversa: eu não quero que a minha filha cresça pensando que o computador ou o celular são mais importantes que ela. Pior, não quero que ela cresça pensando que é mais importante  para mim que eu a mostre para os outros do que eu vivê-la e estar 100% presente. Claro que eu tiro muitas fotos e filmo muitas coisas que ela faz, porque vou querer lembrar desses momentos maravilhosos no futuro. Claro que posto fotos e vídeos dela. Mas sempre tomo muito cuidado de não ficar o dia inteiro filmando, tirando fotos e postando tudo que ela faz, porque me parece que isso seria valorizar mais a lembrança de amanhã e aqueles que estão conectados nas redes que eu publico do que viver 100% o hoje com ela e para ela. Vou mudar um pouco o ângulo: eu odeio quando o Marcelo fica horas mexendo no celular. Não importa se ele diz que está lendo artigos, vendo coisas importantes… me sinto em segundo plano. Se falo alguma coisa, fico achando que ele só está esperando que eu acabe logo de falar o que estiver falando para ele poder voltar a ver o que estava vendo depressa. É como se ele não estivesse ali, apesar de estar. É a presença física pura e simples, o que não é a mesma coisa que PRESENÇA no sentido completo. Ele nunca pode mexer no celular? Claro que pode, eu também mexo. Mas é importante cuidar para que não passe essa impressão de que tudo que está dentro daquela caixinha é mais importante do que ESTAR JUNTO. Odeio quando estou falando com alguém e a pessoa fica mexendo no celular. E eu sei, eu também faço isso muitas vezes. Mas odeio assim mesmo kkk.. Sei que hoje em dia fazemos tudo pelo celular: trabalhamos, vemos e respondemos e-mails e mensagens importantes, fazemos compras, atendamos compromissos etc. Mas o fato é: quando estamos com outra pessoa e essa pessoa fica no celular, nos sentimos em segundo plano. Não quero que minha filha se sinta assim. A pessoa pode dizer: “Olha, estou fazendo tal coisa importante aqui, mas termino em tantos minutos e já fico com você”. Como os bebês ainda não entendem… melhor restringir o uso dos celulares na presença deles – na minha opinião. Lembro de uma vez que fui a um casting, quando ainda era modelo, e estava começando a era dos smartphones. Eu ainda não tinha um, demorei bastante para aderir. Levava revistas ou livros para os castings e gostava de encontrar outras modelos para conversar. Nesse dia, tinha outras 3 modelos no casting, todas mexendo no celular. Eu “boiei”. Não tinha levado nada para ler. Não tinha um smartphone. E não tinha a presença de nenhuma delas. Eu sou super contra a instauração desse padrão… e tomo cuidado para não fazer isso, para que a minha filha ou a minha família ou os meus amigos não sintam isso com relação a mim, ou seja, que eles estão “boiando”, “sobrando”. Por isso, inúmeras vezes encontro amigos, saio para jantar, faço alguma coisa legal e depois me vejo sem foto nenhuma para publicar, esqueço. E essa sou eu! Mas confesso que muitas vezes tirar uma foto nem que seja só para guardar de recordação ou mesmo publicar depois (depois, e não deixar todo mundo ali te esperando enquanto posta) seria legal e sinto falta. Simplesmente esqueço mesmo. Um pouco meu recolhimento vem da maternidade sim, mas outro pouco vem da minha criação (meus pais nunca gostaram muito de exposição, apesar do meu pai andar postando bastante coisa no facebook atualmente hahahah). A exposição e a necessidade de reclusão brigam um pouco dentro de mim ainda rsrsr… Estou no caminho para encontrar meu equilíbrio, um que seja produtivo mas que ao mesmo tempo respeite meus valores.

Beijos!!!

Helô