julho - 14 - 2016 | comente

Esperando a Gabi nascer resolvi pensar em como é engraçada a vida… Esperamos, esperamos, esperamos… tudo! Ia dizer que essa expectativa é ruim mas repensei a tempo, lembrando do Pequeno Príncipe: “se você diz que vem às 5h, desde as 3h começarei a ser feliz”. Na verdade eu sei lá se essa foi a hora exata que ele usou kkkkkkk, não lembro mais, mas deu para entender o sentido, né? Pense, por exemplo, em quando comprou o convite para aquele show dos sonhos ou quando esperava o namorado chegar ou ligar e  dava aquele friozinho gostoso na barriga. Ou quando torcemos para nossa bebê dormir a noite toda, mas de manhã ficamos doidos para ela acordar só para ver aquele sorriso lindo de morrer, aqueles bracinhos esticados dizendo mamãe! A vida seria muito chata sem expectativas. Essas esperas são gostosas. A gravidez é uma espera também e pode ser uma delícia ou não, dependendo de um monte de fatores: se a mãe é daquelas grávidas que não tem nenhum enjôo nem inchaços, cuja gravidez transcorre sem intercorrências, cuja família apoia e valoriza esse período, cujo estado emocional está bom, a gravidez tende a ser deliciosa. Já quando está num período delicado na vida pessoal ou profissional, quando passa mal de enjôos e azias e refluxos a gravidez inteira, quando sente dores e medos causados por exemplo por algum problema que tenha sido descoberto na gestação… essa espera é mais ansiosa. Já vejo várias cabecinhas aqui com seus julgamentos hehehe… “Mas ser mãe é maravilhoso!” ou “Affff, esse romance que pintam da maternidade só atrapalha porque na vida real não tem nada disso e é difícil pra caramba e ninguém me avisou!” rsrsrs são os dois lados dessa corda. E posso falar? A maternidade se apresenta de uma forma diferente para cada mulher, em cada contexto, em cada família. Seria tão mais fácil se todos entendessem e respeitassem isso, né? Como tudo na vida aliás.

Mas esse texto nem é para ser sobre a maternidade! Engraçado que quando a gente está vivendo muito intensamente uma fase na nossa vida tudo vira aquilo, né? Começamos falando de outras coisas e quando vemos… pá! Lá está o assunto de novo (no meu caso, a maternidade). Bom, voltando ao tema das expectativas. Hoje o Marcelo (meu marido) disse que a gente andava muito estressado e que não dava para viver assim, que a gente tinha que mudar. Aí, como eu discordei e eu sou chata pra caramba, respondo com um post… Brincadeira kkk… Na verdade conversamos sobre isso um tempão, ele dormiu, eu tive insônia e resolvi escrever para ver se espairecia! A questão toda era que à noite falamos muitas vezes de coisas “ruins”. Reclamamos de coisas que aconteceram no trabalho, em casa… cada um daquilo de ruim que aconteceu no seu dia. Não só reclamamos, também contamos as coisas legais. Contamos tudo. Tem gente que é contra falar de “coisa ruim”, mas eu acho que se não pudermos desabafar com o marido/ esposa, vamos desabafar com quem? Uma boa é desabafar com um psicólogo, mas nem sempre temos dinheiro, tempo ou disposição para isso. E além disso, sinceramente? Quem disse que a vida precisa ser perfeita, que não podemos ter problemas, que falar das coisas ruins é pecado e que o estresse é negativo sempre? Quem disse que um casamento onde as pessoas só falam de coisas boas é melhor que um casamento em que as pessoas tem liberdade para falarem sobre seus dias, mesmo que tenham sido ruins? Não estou dizendo descontar no parceiro, isso seria bem diferente. O que estou perguntando é de onde as pessoas tiraram a ideia de que a vida tem que ser sempre um mar de rosas? Assim como os casamentos, a maternidade, as sociedades, os empregos, as amizades, as famílias? As pessoas podem e vão discordar, discutir, se irritar. Só que também vão se divertir, se amar, rir, sorrir, ter momentos lindos juntos, fazer planos, realiza-los. Enfim, as pessoas vão VIVER UMA VIDA REAL. Vivo lendo sobre como as redes sociais afastam as pessoas dessa vida real e acho que faz muito sentido, apesar de não ter escapatória: nas redes sociais tudo parece lindo e perfeito. Quando a gente posta uma foto linda e sorridente com uma bebê fazendo uma gracinha linda todo mundo curte. Experimenta postar um monte de coisa negativa para você ver, ninguém vai curtir. Nem coisa séria as pessoas curtem, como textos “papo cabeça”. A gente gosta de ver coisa bonita na televisão, em revistas e na vida dos outros através das redes sociais. Só que temos que ter muito cuidado e saber que aquilo é só a janela. Toda casa tem banheiro, cozinha, quarto e sala meus amigos! Entende o que eu quero dizer? Trazendo para a minha vida hoje, falei sobre como a minha segunda gravidez foi mais tumultuada que a primeira, tendo já uma filha ainda muito pequena, abrindo uma empresa, com marido trabalhando em outra cidade, com aquele medo do zika vírus que estourou bem quando eu engravidei, com enjôo a gravidez inteira, com mais dores que na primeira etc. Só que o que eu acredito é que temos que ser capazes de olhar para tudo isso e entender que isso é NORMAL, não é nada de outro planeta, não é o fim do mundo. Entendo que um casal jovem com duas filhas pequenas passa mesmo por um momento que, apesar de lindo, é também difícil e estressante, cheio de noites sem dormir, gastos, diminuição das saídas à noite e viagens, além de continuar com os estresses normais do trabalho e outros, só que tendo ainda muito mais responsabilidades. Eu, de verdade, acho que as pessoas deveriam entender isso como normal. E valorizar cada pequeno momento bom também, cada sorriso dos seus filhos, cada noite bem dormida, cada beijo de boa noite (no marido também), cada jantarzinho mais elaborado, cada coisa boa que acontece no trabalho… Acho que temos que viver, tanto as coisas boas como as ruins. Precisamos ser gratos por tudo de lindo e bom que temos na vida, mas isso não significa varrer para baixo do tapete aquilo que não é ou não está tão bom. Para mim, isso significa ser capaz de enxergar que tudo tem altos e baixos, que tudo nos ensina e nos engrandece – dependendo da nossa atitude – e que nada é permanente. Podemos reclamar, desde que consigamos tirar lições disso e logo em seguida falar e curtir também as coisas boas. Devemos tentar ser mais leves, levar a vida menos a sério, com menos peso. Mas entendendo que isso não significa não ter problemas e sim lidar com eles de um jeito mais leve e, para mim, o primeiro passo para isso é entendendo que os problemas são coisas absolutamente normais na vida de qualquer pessoa.

Acho que quando entendemos de maneira diferente corremos o risco de abandonar as coisas e/ou pessoas ou fugir delas quando as dificuldades se apresentam. E estaremos perdendo todo o lado bom… para logo passarmos por tudo de novo com outras coisas e/ou pessoas. É lógico: quando um relacionamento é muito mais negativo do que positivo, é destrutivo, agressivo, abusivo ou algo assim, temos que cair fora o mais rápido possível mesmo. Mas vocês sabem… não é disso que estou falando 😉

Para finalizar, gostaria de sugerir um dos melhores vídeos que já vi e que fala sobre isso: o estresse é realmente ruim? Novas pesquisas mostram que só se você acreditar nisso…

https://www.ted.com/talks/kelly_mcgonigal_how_to_make_stress_your_friend?language=pt-br

E também sugiro o livro “O Efeito Sombra”, do Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson, que fala exatamente sobre tudo isso: na medida em que reconhecemos que as sombras existem e são normais, podemos então curtir a luz sem que as sombras atrapalhem. Do contrário, nunca seremos capazes de curtir plenamente a luz. That’s all!

Beijos a todos, deixem comentários que eu adoro!!!!