março - 23 - 2017 | comente

Oi pessoal! Bom, como eu disse, são muitos assuntos para colocar em dia. Um deles é, com certeza, contar como foi o parto da Gabizinha.

Minha segunda gravidez foi “menos curtida” que a primeira: sentia mais dores e tinha menos tempo para me conectar com a minha pequena que estava na barriga. Descobri que estava grávida meio no susto: apesar de querer loucamente ter 2 filhos (filhas, no caso), não imaginava que engravidaria tão rápido!!! Como tinham me dito que eu não poderia ter filhos e eu já tinha tido a Marianinha, tinha uma esperança mas não uma certeza. A Mariana parou de mamar no peito e eu engravidei exatos 20 dias depois – my baby miracle #2. Qualquer mãe sabe como é intenso esse período, certo?  Estava grávida de novo e tinha em casa um bebê de 11 meses, aquela alegria – e correria. Tudo isso logo depois de um tratamento quimioterápico… muita intensidade nessa minha vida hehehe. Logo que descobri a gravidez estourou aquela “bomba” do zica vírus e a microcefalia. Os primeiros meses foram extremamente angustiantes, cheios de cuidados, um monte de repelente, roupas compridas numa cidade quente como Piracicaba… nossa! As mamães que passaram por isso podem se identificar. Foi um sufoco, não? Um momento tão maravilhoso transformado em pânico, medo, incerteza… Bom, seguindo… nessa gravidez eu tinha mais dores, mais enjôo, estava mais cansada com a correria do dia a dia (trabalho + filho pequeno) e ainda me sentia culpada por não estar fazendo o que eu fazia na gravidez da Mariana: meditar, conversar com a bebê na barriga, enfim, ficar “naquele estado de graça” que eu realmente tive na primeira gestação. Claro que eu conversava com ela, estava demais feliz por estar esperando mais uma princesinha, mas estava curtindo menos. Continuava com o mesmo médico e seguiria – como no primeiro – aguardando um parto normal (a Mariana nasceu de cesárea, mas eu esperei normal).  Acontece que fui ter o bebê em outro hospital (a pedido do médico) e imaginei que seria igual ao outro, super humanizado. Teoricamente este era um hospital até melhor que o outro – aí vemos que muitas vezes ser mais bonito e ter mais nome pode não significar muita coisa.

Com 39 semanas e 4 dias de gestação rompeu minha bolsa, mas saiu pouco líquido e só fui constatar que era isso mesmo que tinha acontecido no dia seguinte, na consulta. Como na primeira gravidez a bolsa não rompeu, não sabia exatamente como era. A Gabi nasceria naquele dia e eu estava MUITO feliz, estava louca para ver a carinha dela e tê-la nos meus braços. Estava também conformada com outra cesariana. Mas o que aconteceu depois não foi legal… o Marcelo só pôde entrar na sala de parto depois que estava tudo certo para a Gabi nascer, ou seja, eu tomei anestesia, passei mal (queda de pressão) e melhorei… tudo isso sem ele do meu lado. Ela nasceu, me trouxeram ela e logo em seguida a levaram para um bercinho térmico enquanto me costuravam (nada romântico dito assim, não?). Só que ela chorava muito e não deixaram nem eu nem o Marcelo pegá-la – e nem ficar do lado dela fazendo um carinho. Só de lembrar disso fico muito revoltada. Como minha primeira experiência foi totalmente diferente sem ter precisado fazer um “plano de parto”, sinceramente não pensei que precisaria disso. Deduzi que seria igual da outra vez, mas o outro hospital tem fama de ser mais humanizado mesmo… fui ingênua. Meus pais, que estavam esperando no quarto, foram “convidados a se retirar” porque o “horário de visita” tinha acabado (21h). Oi??? Eles não eram visita! Minha mãe não deixou barato (ainda bem!) e fez um pequeno escândalo, dizendo que ela não era visita coisa nenhuma, que a filha dela estava tendo bebê e que ela ia ficar ali sim. Deixaram que eles ficassem nuna sala longe da sala de parto aguardando o Marcelo. Ou seja, eles só viram a Gabi por fotos nesse dia, depois que o Marcelo foi encontrá-los. Conhecer mesmo a pequena, só no dia seguinte. Absurdo, né? Na recuperação ela ficou comigo o tempo todo, pele com pele, mamando muito eficientemente desde a primeira vez! Foi um sucesso!

Nos levaram para o quarto e, outro absurdo (na minha opinião), quiseram levá-la para dar banho à meia-noite, no inverno. Eu disse que ela poderia tomar no dia seguinte mas as enfermeiras insistiram tanto que eu acabei deixando passar. Acredito que o primeiro banho deveria ser com um dos pais e às vistas de quem quiser ver, além de não precisar ser à meia noite no inverno, poderia muito bem aguardar o dia seguinte cedinho. Me fizeram levantar às 03h da manhã para tomar banho, porque tinham que ter certeza que eu estava “bem”. Eu estaria bem melhor se estivesse dormindo essa hora!

Os próximos 2 dias também não foram perfeitos. Tirando coisas pequenas sem tanta importância, o berçário do hospital é numa sala fechada (sem janelas nem câmeras) e eles levavam todos os bebês todos os dias para tomar banho e o pediatra passar consulta lá. Quando a Mariana nasceu, todos os banhos dela foram no meu quarto, assim como as visitas do pediatra. Muito melhor, na minha opinião. Até a vacina e o exame do pezinho acabaram sendo no berçário – o que também acho errado. Tudo diferente.

Reclamamos enquanto estávamos lá e, ao sair, enviei um e-mail gigante para a ouvidoria. Pouco tempo depois eles me ligaram, pediram mil desculpas, disseram que meu e-mail foi muito útil porque eles estavam mesmo tentando adequar a maternidade às novas solicitações e blá blá blá. Bom para quem for atendido depois, mas a minha chance  e a da minha filha de um parto humanizado como foi o primeiro havia passado. Triste. Fiquei muito em dúvida sobre escrever ou não tudo isso aqui, mas acho importante que as gestantes saibam que existem essas diferenças, que existem opções e saibam escolher. Que sirva para que outras experiências possam ser melhores que as minhas!

Meu milagrinho número 2, princesinha sorridente Gabi, chegou ao mundo em 15 de julho de 2016 e é loucamente amada por todos nós! Que Deus abençoe e ilumine cada minuto da sua vida, meu anjinho de luz!!! Te amamos!!!