abril - 5 - 2017 | comente

Eu sempre quis ser mãe, sempre. Amo demais minhas filhas e a família que formamos. Mas vou falar: não é para qualquer um, não! 

Quando temos filhos, temos que ter em mente muito claro que a maternidade não se resume à gravidez e ao parto ou aos primeiros meses daquele bebezinho mimoso que aparece nos comerciais de TV. É todo dia. 24 horas por dia. 7 dias por semana, todas as semanas e meses do ano… para sempre! É preciso saber que ao optar pela maternidade você está abrindo mão da sua liberdade e autonomia por um bom tempo. Sabe aquele dia que você está na TPM e quer ficar sozinha, em silêncio? Não vai rolar. Você vai ter que aprender a controlar seus hormônios e tirar paciência não sei de onde para contornar aquele ataque de birra que vai acontecer bem nesse dia. Não o seu – bem que poderia, já que vontade não falta. Nesse dia, vão ser várias birras. E não, não é porque minhas filhas não tem educação, mas porque estão cansadas, aprendendo a ter autonomia testando os limites, tem dentes incomodando ao nascer e uma série de outras coisas que com certeza também tiraria os adultos do sério. E nesse dia, depois de tentar equilibrar as diversas bolinhas como malabarista, vai pensar… agora vou jantar em paz! Mas não, porque bem nessa hora as duas (no meu caso) vão fazer um escândalo e você vai ter que socorrer. É a hora do sono e toda criança fica chata quando está com sono… Você senta para jantar e sua filha mais velha (de 2 anos) vem querer dar macarrão na sua boca. Macarrão com molho de tomate. De calça branca. E você acha fofo, ela te dá os parabéns porque você comeu tudinho… mas ao mesmo tempo tudo que você queria era comer esse macarrão sozinha, com alguns segundos de paz. Ok, não foi no jantar. Vai ser no banho. Hum… acho que não, ela quer ficar no banheiro com você, mexendo em tudo que não pode, perguntando: “esse pode mamãe? esse não faz dodói?” E de novo você acha fofo, afinal, ela é uma paixão. Seria ótimo esses 5 minutinhos para recarregar, mas… não foi dessa vez. E você desiste de lavar o cabelo hoje, vai ser muito complicado. Hidratante também, fica pra depois. Toca o telefone, é o marido que está viajando. Enquanto você pega a nenê no colo para falar com ele, ela começa a puxar seu cabelo, arranhar sua boca e pisar na sua barriga. Aí você vê aquela carinha linda e lembra que bênção a sua. Ai! Mais um puxão de cabelo. Como é difícil. Marido pergunta coisas complexas, pede coisas… e você respira fundo. Está morrendo de saudade, mas quando ele não dorme em casa você consegue dormir um pouco mais cedo, ufa! Afinal, ainda está naquela fase de acordar a noite inteira para dar mamá. “Fulano acha um absurdo, diz que você tem que deixar chorar um pouco para aprender a dormir sozinha”. Manda o fulano para aquele lugar. Ou então manda ele vir aqui em casa ensinar ela a dormir (e a mais velha também, que vai acordar com a mais nova chorando). Depois de tudo isso você vai amamentar e pensa: ufa! Pelo menos posso sentar um pouquinho e, se der sorte, ver as mensagens que se acumularam no celular. É… o mundo não pára para você ser mãe! Olha pra carinha dela, sente o calorzinho no seu colo e sente aquele amor gostoso que as mães conhecem bem. Pensa que queria ter comido uma sobremesa e passado fio dental, quem sabe depois que elas dormirem. A bebê dormiu, falta a outra. Que não quer dormir. Senhor, dai paciência. Puxa pertinho, dá um abraço, deita juntinho, reza pro papai do céu, conta historinha. O sono não está deixando a historinha sair da sua boca, você provavelmente vai dormir antes dela. Ops, a bebê acordou. Tomara que a mais velha não escute! Dormiu. Volta pra fazer a bebê dormir… e quando as duas finalmente dormem, você exausta tenta dormir um pouquinho (afinal nem tem forças para mais nada), sabendo que já já vem a primeira acordada da noite (a primeira de algumas). Lembra que ficou sem a sobremesa, sem o hidratante, sem o fio dental… para amanhã cedo acordar (ser acordada) e começar tudo de novo: uma maratona de amor e cansaço. 365 dias no ano. E a cada momento lembrar que tudo que você queria hoje era 5 minutos de silêncio, mas tudo que você queria a vida inteira era esses sorrisos e essas mãozinhas segurando seu rosto e falando: “mamãe, eu te amo mamãe!” 💗💗💗 Essa foi uma única e simples noite de toda uma vida. Culpa, cansaço e amor. Quem (mãe) nunca?