O DIU – parte 2

1 de setembro

Até hoje recebo muitos comentários sobre o post que escrevi sobre o DIU (http://heloisaorsolini.com/?p=998). Para quem não leu e não sabe, o DIU é um dispositivo intra-uterino anticoncepcional. Como eu não posso tomar pílulas por causa da trombose que tive (muitas pílulas modernas aumentam o risco de trombose – para qualquer pessoa!), o DIU foi uma opção encontrada pela minha médica. Coloquei o mirena (e não o de cobre) em dezembro. Enfim, por causa dos comentários e perguntas que me mandam até hoje, me sinto na obrigação de escrever contando que tirei o DIU há umas 2 semanas! Não me adaptei: tive cólicas por meses e meses, além de muitas espinhas no rosto. Lá no México, fiz muitas meditações com respirações abdominais. As cólicas que tive por causa do DIU acabaram me impedindo de fazer as respirações… Minha médica já tinha me dado a opção de tirar, mas eu tinha optado por esperar mais um pouco, por causa da falta de opções de outros métodos anticoncepcionais. Mas depois da viagem e das espinhas não melhorarem de jeito nenhum, mesmo depois de 8 meses, resolvi tirar. Além disso, o DIU altera o pH e facilita certas infecções. Uma opção para agora é o Cerazette, uma pílula sem estrogênio (só com progesterona) que mulheres que já tiveram trombose podem tomar – parece que é o estrogênio que aumenta os riscos de trombose. E, já que é o que tem para hoje, vou servir de cobaia mais um pouco!

Por que será que às vezes é tão difícil fazer escolhas? Todo tipo de escolhas envolve renúncia, desde  as mais simples como escolher o que comer ou acordar mais cedo para tomar um café da manhã mais demorado até casar, ter filhos, mudar de emprego…  Hoje, temos um mundo cheio de diversidade, o que acabou tornando uma ida ao supermercado um evento muitas vezes estressante e complexo. Antes, o leite era só leite. Aí veio o desnatado e o semi-desnatado. E daí para frente, vejam só, temos: leite magro, desnatado, light, semi-desnatado, leite de cabra, de búfala, além dos “pseudo-leites” de arroz, amêndoa, aveia, milho… Qual é melhor? Para quem gosta de procurar informações, a busca é longa! Os artigos e pesquisas são muitos, cada um falando uma coisa. E isso gera uma certa ansiedade. Quem nunca se pegou ansioso diante daquela prateleira lotada com tantas opções, ou diante daquele buffet enorme de um restaurante self-service?

O exemplo do leite é um entre os milhares que vivemos hoje em dia. Quando se trata de decisões mais complexas, como casar, ter filhos, mudar de emprego ou de cidade, esse sentimento de ansiedade pode durar meses, tirar o sono e a tranquilidade. Porque, sempre que fizermos uma escolha, deixaremos de aproveitar muitas coisas boas da outra opção. Se não fosse assim, não seria difícil escolher! Ter filhos é uma delícia, mas tira noites de sono e aqueles dias sem preocupação, de dolce far niente. Tudo na sua vida passa a ser regido por aquele serzinho que domina a sua vida, no bom sentido e no não tão bom assim. Suas viagens não serão mais quando te der na telha, os horários também não serão mais determinados por você. Para algumas pessoas, tudo isso pode ser super tranquilo, enquanto para outras não. E é por isso tem muita gente hoje adiando essa decisão e mesmo optando por não ter filhos.  Mudar de emprego também pode ser um dilema bem grande. Se está tudo relativamente bem no seu emprego atual, mas você recebe uma outra proposta, vai ter que pesar salário, qualidade de vida, possibilidade de crescimento, ambiente da equipe, descrição das atividades do dia a dia, status, segurança, estabilidade… Se tudo isso for melhor em um lugar, é muito fácil decidir. Mas, normalmente, a balança fica mais ou menos estável, com alguns prós e alguns contras. E então, não tem nada que possamos fazer? Claro que sim! Em primeiro lugar, confiar em Deus e no Universo é um bom começo. Mas como saber se aquela vozinha na sua cabeça é medo ou intuição? Como saber se as coisas que acontecem são sinais ou simplesmente coisas que acontecem? Como saber se a sua persistência e determinação não estão sendo, na verdade, teimosia, ignorando que os obstáculos podem estar mostrando que deveria ir por outro caminho? Minha mãe sempre diz: “faça como se tudo dependesse de ti, confia como se tudo dependesse de Deus”. E como saber se já fiz tudo que estava ao meu alcance e quando é hora de simplesmente confiar e deixar nas mãos Dele?

Na minha vida, muitas vezes fiquei ansiosa com decisões importantes. Por exemplo, quando passei em um vestibular bem concorrido para Relações Públicas na USP e, depois de cursar um mês, percebi que não era aquilo que eu queria. Conversei com os meus pais e eles me deram total apoio para pensar melhor no que eu queria e mudar. Mas eu fiquei muito insegura: como ia jogar aquilo tudo para o alto? E como ia decidir o que fazer dali para frente? Bom, até hoje eu não tenho essa certeza, mas lembro como se fosse hoje do meu pai me dizendo: “não tema, segue adiante e não olhe para trás”. E quem conhece, sabe que a música continua: “segura na mão de Deus e vai… pois ela, ela te sustentará”. Em primeiro lugar, precisamos confiar que existe um plano maior e alguém sustentando nossas decisões quando elas são tomadas por amor e com amor. E, para isso, precisamos tomar as decisões por amor e com amor. O que isso significa?  Significa que sabemos tão bem quais são nossos valores que nossas decisões estarão alinhadas com eles e não com o nosso ego ou com o nosso medo – a necessidade de agradar a todos, algo sabidamente impossível. Se o que eu quero é ter uma vida mais tranquila no interior, não adianta aceitar aquele emprego que dá muito mais status e fica numa grande capital. E, se eu quero e gosto de status, qual o problema? Melhor aceitar a proposta da capital. É preciso se apoiar nos próprios gostos e decisões, sabendo que nada é melhor ou pior, mas simplesmente diferente. Na minha opinião, sempre vai haver pessoas que gostam de coisas mais luxuosas e de mais liberdade financeira do que outras, pessoas que precisam dessa segurança. E não existe nada de errado nisso, contanto que elas se aceitem dessa forma e não prejudiquem ninguém com isso, mas simplesmente “corram atrás” do dinheiro com mais energia do que outras pessoas e saibam que o dinheiro deve servir seus objetivos e não o contrário. O dinheiro é uma energia maravilhosa, se usado do jeito certo! A mesma coisa com as pessoas que, conscientemente e verdadeiramente gostam mais da liberdade e da solidão do que das obrigações que traz uma família. Porque, a princípio, podemos pensar romanticamente que quem se casa é porque optou pelo amor ao invés da “solidão egoísta”, mas existem milhares de pessoas que casam por egoísmo e medo da solidão e muitas pessoas que permanecem solteiras por amor. E, para entender tudo isso, é fundamental ter uma conexão muito grande com o nosso guia interior, com o Deus que está no nosso coração. É fundamental que esse gosto por liberdade, por exemplo, seja realmente gosto por liberdade e não medo dos compromissos pura e simplesmente. Sabendo quem somos de verdade, tomar decisões vai se tornando mais e mais fácil e assim também confiar em Deus. Porque sabemos que, se nossa decisão foi tomada pela pura consciência da nossa verdade, Ele vai nos apoiar. Os caminhos para isso são muitos: meditar, rezar, orar, fazer terapia, yoga, praticar esportes, escrever…. todas as coisas que nos aproximam da nossa voz interior, aquela que nos deixa com um sentimento bom de certeza, sem medo, sem ansiedade. Quando ouvimos essa voz, podemos escrever num caderninho quais foram os pensamentos que levaram àquela sensação de paz, tranquilidade e alegria. Assim, vamos conhecendo nossos propósitos e alinhando nossas ações com os nossos valores. Se agimos diferente disso, estamos nos enganando. Se estamos indo para outro caminho que não o da nossa verdade, estamos magoando não só nós mesmos como as pessoas ao nosso redor que fazem parte dos nossos planos. Por isso, quando terminamos uma aula de yoga, dizemos “SAT NAM”, que significa “eu sou verdade”. Esse é o desafio para essa semana: ouvir nossa voz interior e saber melhor qual é a nossa verdade, para que nossas decisões sejam tomadas com amor e por amor ao invés de medo.

SAT NAM!

Para matar a curiosidade, seguem algumas fotos do retiro! Saudade imensa de todo esse amor e companheirismo!

BOP: Body of Pain

15 de agosto

O termo Body of Pain ou Corpo de Dor pode ser conhecido por alguns e totalmente desconhecido por muitos, mas, querendo ou não, todos nós convivemos com um! Eu disse TODOS nós. A primeira vez que ouvi esse termo foi lendo o livro “O Despertar de Uma Nova Consciência” (Eckhart Tolle). No retiro de treinamento para professora Naam Yoga que fiz no México, foi pedido que todos os alunos lessem a newsletter sobre o BOP escrito pelo Dr. Levry, que pode ser encontrado  no site:

http://www.rootlight.com/library/harmonyum_and_body_of_pain.htm

O BOP é algo subjetivo, meio difícil de ser explicado em poucas palavras, mas… vou tentar! É como se fosse uma memória psicológica, onde todas as nossas experiências de vida ficam armazenadas. Sempre que ocorre uma nova experiência, é como se nosso BOP percorresse essa memória em busca de dados para lidarmos com a situação, tudo isso de maneira que, para nós, é inconsciente. Assim, se uma pessoa teve, por exemplo, um pai que abandonou a família, toda vez que passa por situações nos seus relacionamentos amorosos que possam, de alguma forma, se assemelhar ao que viu acontecer entre seus pais, associa com a experiência passada e reage de acordo com todo o sofrimento que passou. No entanto, isso significa que a pessoa não está vendo a situação atual com clareza e agindo de acordo com ela e com as pessoas envolvidas, mas sim usando pessoas e experiências do passado para “julgar” e reagir. Claro, tudo isso causa dor (por isso o nome body of pain ou corpo de dor). É como se o corpo se viciasse nessas memórias e nas sensações que elas trazem, já que elas são familiares e o corpo tende a buscar o que lhe é familiar. O BOP impede que a gente atinja nosso verdadeiro potencial, tanto nos relacionamentos amorosos como na vida profissional e espiritual, entre outras coisas. Se crescemos num ambiente com restrições financeiras, a tendência é crescermos acreditando que isso é normal e que é a única forma de vida. Assim, toda vez que existe uma chance disso mudar, o BOP pode boicotar a situação, trazendo insegurança, sentimentos de restrição, de incapacidade, medo de que logo venha um revés financeiro, de alguém vá te passar a perna… Como já sabemos, esses sentimentos e pensamentos acabam liderando nossas ações e criando à nossa volta essa vibração de escassez.

É o BOP que faz você achar que está sendo traído, sem nenhuma evidência, só porque já foi traído no passado. E, além de achar que está sendo traído, armar a maior situação e ficar parecendo um ser irracional. É ele que faz com que alguém que tenta parar de fumar, de beber, de usar drogas, de abusar do sexo ou da comida tenha recaídas, simplesmente porque não sabe como lidar com o “novo eu”. Essas mudanças fazem com que diversos relacionamentos ao redor da pessoa mudem e ela tenha que aprender a lidar com o novo. O BOP é comodista, ele não quer isso. Assim, é mais fácil a pessoa continuar como está, mesmo sofrendo, pois pelo menos é uma dor conhecida. Parece doido, e é. Mas quem aqui nunca passou por isso? Podem ser mudanças mais simples, como acordar mais cedo para meditar.

Meu BOP tem me dado muita dor de cabeça. No retiro, eu tive um encontro com o Dr. Levry, fundador da Naam Yoga, onde falei para ele diversas coisas que me incomodavam e ele me deu uma “receita”. Porém, ao invés de remédios, foram meditações. Uma lista delas: uma hora de manhã, meia hora à noite. E ele terminou: “e só, ela não gosta que a digam o que fazer”. Eu não pude evitar a risada, porque eu realmente odeio que me digam o que fazer. Não é nada fácil mudar a rotina para acomodar uma hora e meia de meditação TODOS os dias. O meu BOP chora, esperneia, faz greve… tenta de tudo para me fazer desistir. Mas eu quero mudar. Talvez eu não aparente, mas sou uma verdadeira revolução ambulante. Minha mente é um turbilhão que não pára nunca e eu preciso direcionar essa energia para os exercícios ou para o blog, senão posso me tornar uma pessoa bastante impaciente e estressada. Cheguei num ponto em que não quero mais isso para mim e, se o preço a pagar é fazer uma hora e meia de meditação por dia, eu vou fazer. Mas, repetindo, o BOP esperneia, grita e se revolta. Minha vontade é acordar mais tarde e falar que meu dia a dia é muito corrido e que “não deu”, simplesmente “não deu para meditar tudo isso”. Agora, não fiz todo esse curso à toa, né? Consigo entender que é só meu BOP querendo permanecer no conhecido, no cômodo. Antes de viajar, li uma frase que está sendo usada como um mantra para mim, todos os dias: “A mudança acontece quando a dor de permanecer como está é maior que a dor da mudança”. É isso mesmo, o BOP vai continuar chorando, porque quem manda aqui sou eu e não ele rsrsrsrsr….

Só para ninguém se desesperar, apesar de todos nós termos o Corpo de Dor, quer ele seja mais ou menos ativo, o simples fato de termos consciência disso já é meio caminho andado para minimizar as influências negativas que ele pode ter nas nossas vidas. A espiritualidade e a meditação (ou qualquer oração, para quem ainda não medita), praticar NAAM, o poder da palavra, das boas vibrações… tudo isso alivia esse efeitos. Preparados? Sat Nam!

Ajuda que é um luxo!

13 de agosto

Gente!!! Essa é imperdível, eu não podia deixar de compartilhar… Bazar Beneficente do Grupo Luce, da Igreja São Gabriel em São Paulo, com peças de marcas incríveis por preços de 20 a 50 reais, organizado por super tops como a linda Ana Gequelin e  por pessoas maravilhosas como a querida Nazaré, entre outros seres cheios de luz e amor no coração! Dias 16 e 17 de agosto (sexta e sábado agora), na Rua Alemanha 220 (em frente ao MUBE – São Paulo capital). Mais infos no convite abaixo. Eu vou de qualquer jeito!!!!! Quem me acompanha????