Desafio da fofoca

6 de agosto

Oi pessoal! Quem me segue no insta viu que eu postei no dia 30 de julho um desafio: ficar 30 dias sem falar mal de ninguém. Eu fiquei brava com uma coisa, liguei para a minha mãe para “desabafar” (um hábito familiar que deveria acabar, aliás) e ela me disse; “você está muito chata, só reclama!”. Credo! Odiei ouvir isso dela, até porque não era verdade hahahahaah (brincadeira, se ela disse isso alguma verdade deve ter, não?). Ela nem sabe, mas nesse mesmo dia, que aliás era dia de Lua Cheia, quando naturalmente ficamos mais sensíveis e com as emoções à flor da pele, tomei essa decisão: ficar 30 dias sem falar mal de ninguém.

Eu acho que não sou daquelas pessoas que fica falando mal de todo mundo. Especialmente não faço comentários maldosos, tirando sarro, sabe? Odeio isso e evito ao máximo dos máximos. Mas eu “comento” coisas que aconteceram e que não gostei, por exemplo, ou que achei “estranho”. Morro de tirar sarro da minha mãe porque quando ela diz que algo é “estranho” ela na verdade quer dizer que é péssimo kkkkk… Comento, por exemplo, quando a empregada fez algo errado. Comento com o marido quando a minha mãe fez algo que me irritou (ou vice-versa kkk). Enfim… Eu sabia que aprenderia nesses 30 dias, mas não imaginava que fosse tanto.

Sempre lutei para ser uma pessoa do bem e, claro, ficar falando mal dos outros não combina muito com isso. Quando fiz o treinamento de Naam Yoga no México, Dr. Levry dizia o tempo todo: “don’t gossip, don’t gossip, don’t gossip”, ou seja, “não fofoque, não fofoque, não fofoque”. Naam Yoga é a yoga da palavra, união de yoga com kabbalah universal, foca muito na força do que dizemos, no caráter sagrado da nossa boca: dela só devem sair palavras que elevem! Ou seja, desde esse treinamento eu sabia que precisava parar de vez com esse hábito de “comentar”. Mas nunca me lancei um desafio tão forte e não imaginava que fosse tão bom para o auto-conhecimento e evolução espiritual. Uma das minhas dificuldades em começar era: defina exatamente “fofoca” kkkk… O que exatamente é “falar mal dos outros”? Contar alguma coisa que aconteceu e que te desagradou conta? Não conta? Então, mudei a pergunta: o que eu vou dizer traz alguma vantagem? Para mim, para alguém? O que eu vou dizer serve para elevar? Serve para o bem? Senão, fico quieta.

Nos primeiros dias não foi um desafio tão grande. Mas note, ainda se foram só 7 dias! Nada de muito “grave” aconteceu, ou algo que me irritasse demais. Depois de uns três dias as coisas começaram a ficar um pouco mais difíceis. Uma pessoa falou uma coisa que me irritou muito, e é aí que se dá o crescimento. Eu poderia contar para o Marcelo, por exemplo. Ou para a minha mãe, que são meus dois maiores “confidentes”. Mas… em que isso resolveria a questão? A pessoa voltaria atrás e retiraria o que disse? O Marcelo pediria para a pessoa mudar de ideia? Nada disso aconteceria. Então porque sentimos uma necessidade tão grande de “contar”? Quando “contamos”, estamos praticamente “comparando”: essa pessoa fez isso então ela é uma chata/ uma horrível/ uma ciumenta/ uma invejosa/ uma o-que-quer-que-seja. E eu não, eu não sou assim – sou superior. Estamos nos colocando como melhores, estamos querendo nos validar, mesmo que inconscientemente. É como se precisássemos disso, mas porque? É o nosso EGO que precisa disso. É ele que nos faz fazer isso, sem lembrar que somos todos um, que Deus é amor, que o outro é nosso irmão e que é diferente de nós e que faz coisas que às vezes nos desagrada mas na maioria das vezes é sem querer.  Nosso ego acha que só temos valor se formos melhor que alguém. Mas não, para Deus somos todos seus filhos, somos todos amor, somos LUZ. E essa é outra pergunta que eu me faço: se eu falar isso ou aquilo, estou sendo luz? Estou levando luz a alguém? Ou estou “apagando a luz”? É incrível como essa perguntinha é esclarecedora e transformadora. Todas as vezes que eu pensei nela, desisti de falar. E isso é muito life-changing, é muito transformador. Sabe por que? Porque temos que arranjar outros assuntos. Temos que mudar nossos hábitos e nossa maneira de nos relacionarmos com os outros.

Uma outra coisa interessante quando eu vou “contar” (falar mal dos outros kkk) é o seguinte: a pessoa que vai ouvir merece ser depositário do meu “lixo”? Isso vai melhorar a vida dela? Ou vai piorar? Lembrando que nossas palavras são energia, quando dizemos coisas ruins estamos piorando a energia em volta de nós. A pessoa que vai ouvir merece que “roubemos” as boas energias do seu redor? E aí vem ainda uma outra observação: quando eu me fiz o desafio, ele incluiu que eu não ia falar mal de ninguém, mas também não ia ouvir. Isso, inicialmente, foi mais como uma “vingança” para a minha mãe kkk (eu confesso meus podres aqui), tipo: você também reclama, então já que não quer mais me ouvir reclamar eu também não vou te ouvir reclamar. E voltamos nas questões anteriores e principalmente nessa: mudamos nosso padrão de relacionamento – para muito melhor. Paramos de precisar diminuir alguém para, diante do nosso interlocutor, parecer “mais legal”. Deixamos nosso ego de lado um pouquinho e passamos a gostar mais da aprovação de Deus (e de ter a nossa alma mais leve) do que da de qualquer outra pessoa. E é importante nos armarmos de estratégias para “impedir delicadamente”, com inteligência, que as pessoas ao nosso redor nos usem como “depositários do seu lixo”. Isso é um ponto em que ainda estou trabalhando.

Como eu disse, ainda estou só no dia 7 e já refleti esse montão de coisas. Recomendo para todo mundo. Pode ser 30 dias, 3 dias, 7 dias, um ano… Depende de cada um. Mas seja quantos dias forem, com certeza será transformador.

Falando de novo do meu treinamento em Naam Yoga no México, quando fiz uma consulta com Dr. Levry, ele me perguntou: “você está pronta para servir?”. Respondi um “sim” super hesitante. Ele percebeu: “tem certeza?”. E eu: “não”. Tinha ainda muitas dúvidas sobre o significado real dessa palavra SERVIR. Hoje, exatos dois anos depois, minha percepção já mudou muito e eu entendo que cada ato do meu dia pode ser uma forma de servir. Se ele me perguntasse hoje, eu responderia diferente: “estou pronta para tentar, mas ainda preciso de muita ajuda!” kkk sinto que tenho muito a evoluir nesse sentido. Mas esse desafio me mostra um pouco mais de como servir pode estar escondidinho nos nossos atos mais simples, como pensar melhor antes de falar mal de alguém e resolver simplesmente não falar. Assim, estou sendo um instrumento de luz e de amor ao invés de um “sopro” que vai tentar apagar um pouquinho da vela, sabe?

Essa semana estou na praia de férias com o Marcelo e a Marianinha. Êita desafio esse de não fazer comentários sobre os biquinis e comportamentos alheios, viu? kkkkk… Praia e férias são terrenos muito propícios para fofocas, não é? Como eu disse, é uma transformação e tanto, mudamos nossa forma de pensar, mudamos nossos relacionamentos. Estou me sentindo muito melhor, uma mãe melhor e um ser humano melhor. Ainda faltam 23 dias e vou contando para vocês, ok? E quero ver comentários, saber se já tentaram e como foi!!! Vou adorar saber.

Beijos mil, bom rostinho de semana!

Helô

Gratidão

21 de julho

Quem me segue no insta sabe que estou fazendo os 21 dias de meditação de um aplicativo que recomendei para todo mundo, chamado Meditation Experience, do Deepak Chopra e da Oprah. O tema desses 21 dias é gratidão e a cada dia eles focam em um aspecto relacionado à gratidão. Esses dias um desses aspectos me fez chorar e vou contar aqui porque.
O “centering thought”, pensamento que deve ser usado para “trazer de volta” caso sua mente voe para algum outro lugar, era: “When I don’t resist, I’m in grace” ou “quando eu não resisto, eu estou em graça”. Por “graça” entenda-se “estado de graça”, estado esse que é naturalmente alcançado através da gratidão. E eu chorei… as lágrimas iam escorrendo à medida que uma cascata de lembranças ia passando como um filme na minha cabeça. De fato, acredito que atravessei o câncer com GRAÇA, justamente porque não resisti. Essa foi uma espécie de “chave” para mim, abrindo um portão para todas as lembranças, o sentimento de RENDIÇÃO que eu tive pouco depois de receber o diagnóstico e a paz que ele me trouxe. Já falei algumas vezes sobre isso aqui: eu me sentia carregada no colo. Eu não resisti, eu segui o fluxo, eu deixei as coisas acontecerem, eu respirei, eu vivi o presente com amor. Senti gratidão por finalmente ter descoberto o que eu tinha, por poder receber um tratamento decente, num hospital mega confortável, cheia de pessoas que me amavam em volta de mim. Senti gratidão por cada dia depois da primeira quimio que meu cabelo demorou para cair. Lembro que senti uma gratidão enorme – e genuína – porque no meu aniversário, 12 dias depois da primeira quimio, ainda estava com cabelo. Senti gratidão por ter a graça de não precisar trabalhar nesse momento (não precisar no sentido de ninguém depender financeiramente de mim e de eu poder me dar ao luxo de depender financeiramente de alguém). Senti gratidão por ter começado o blog e ter podido ajudar centenas ou milhares de pessoas com ele, só contando a minha experiência e mostrando como estava passando por tudo isso. Senti gratidão porque antes da doença Deus me deu ferramentas para lidar com ela: fé, família, yoga, meditação, espiritualidade… Senti gratidão em momentos em que me pegava assistindo a um filme no meio da tarde de uma segunda-feira chuvosa e pensava em quanta gente não queria estar no meu lugar. Enfim… eu sentia muita gratidão! Uma coisa que me vinha sempre à mente era quando o anjo Gabriel foi contar a Maria que ela seria mãe de Jesus e ela disse: “seja feita a Vossa vontade”. Ela se rendeu e ela ficou “cheia de graça”: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco”. Inspiração, lição, luz… sei que lembrava disso e pensava: “seja feita a Vossa vontade”. E eu me sentia em GRAÇA.

Quando me disseram que eu não poderia ter filhos, tive a mesma lição. Primeiro eu me revoltei. Corri para a terapia, não queria ir a nenhum lugar que fosse cheio de crianças, me perguntava o porquê o tempo todo… ou seja, eu resisti. O tempo foi passando, eu fui olhando para tudo que já tinha passado, fui buscando dentro de mim as ferramentas para lidar com mais esse momento de dificuldade… Em algum momento, a chave virou. Eu parei de resistir. Eu aceitei. Seria feita a vontade de Deus e eu tiraria o melhor dela. Em cada momento de tristeza e dúvida, eu respirei. Fique chateada muitas vezes, mas até isso eu aceitei. E aconteceu: eu engravidei, ganhei meu milagrinho. Mas me lembro muito bem de ter escrito pouco antes de saber que estava grávida e ter sentido isso de coração: se eu não engravidasse, ainda assim não acharia que Deus tinha me traído ou me abandonado. Eu saberia ainda assim que Ele me amava, só que teria escolhido um caminho diferente para eu trilhar. Quem sabe eu adotaria, faria uma fertilização, mudaria minha vida por completo… sei lá. Eu aceitaria, não resistiria. E quando eu parei de resistir, a GRAÇA estava ali, assim como a gratidão.

Precisava compartilhar com vocês esse sentimento, essa “chave” que foi tão importante para mim. Acho que se pudermos colocar isso em prática nas nossas vidas, vamos ver que tudo vai melhorar. Afinal, não adianta estressar com o que você não pode controlar, certo? Nossa ferramenta nesses casos é se encher de sentimentos bons, luz, amor, gratidão e graça. O resto vem e, seja o que tiver que ser esse “resto”, ou seja, o resultado do que está nos afligindo, com certeza ele será melhor se estivermos em paz esperando por ele.

Namastê

Oi pessoal! Estou passando para deixar o link da reportagem do SBT Brasil, que a semana toda abordou formas de prevenção, tratamento e histórias de superação relacionadas ao câncer. Na primeira reportagem, dei uma entrevista falando um pouco do meu caso, da minha cura e do meu milagrinho! A série toda está muito bonita, vale a pena ver.


http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/53851/Serie-de-reportagens-mostra-como-tratar-e-prevenir-o-cancer.html#.VZHa8VI4_CQ

Beijos!!!

Curtir a vida?

15 de junho

O que é curtir a vida para você? Fala-se tanto no famoso “Carpe diem” nos dias de hoje, não é? E quando se tem um câncer, então, todo mundo sai perguntando se agora você aproveita mais a vida, se vive cada dia como se fosse o último… Quando escrevi meu post sobre julgamento já estava pensando nesse aqui. O feriadão da semana passada foi de muita reflexão aqui em casa! Além de termos ficado muito tempo só nós (Marcelo, eu e Marianinha), acabei de completar 3 anos sem quimioterapia e estou numa fase complicada com uma bebê de 7 meses em casa, quando muita gente se sente no direito de dar “opiniões”, muitas vezes na melhor das intenções, mas sem levar em consideração e respeitar o fato que as pessoas são diferentes, tem anseios diferentes, sonhos de vida diferentes, desejos diferentes, maridos e esposas diferentes etc. Quando falo “as pessoas” estou incluindo pediatras, médicos, doulas, amigos, parentes, livros, sites, revistas… tudo. Acredito que toda mãe já tenha se sentido como eu me senti algumas vezes esses dias: esmagada no meio de tanta informação e cobranças de “faça assim não faça assado”, ou levada ao limite como aquela corda que cada um puxa para um lado e que uma hora parece que vai estourar, sabe?
Além das cobranças normais de uma mãe, o mundo de hoje cobra demais: faça o que você ama, aproveite a vida, viaje, faça amigos etc etc etc. E aí é que vem minha pergunta novamente: o que é curtir a vida para você?
É correto dizer que uma pessoa não curte a vida porque ela prefere ficar em casa jogando video game no final de semana ao invés de ir para a balada? Aí são algumas variáveis… Primeiro, muitas vezes quem diz isso não tem nada a ver com isso, certo? Segundo, se a pessoa não sai porque tem medo, vergonha, inseguranças etc, realmente pode ser que estivesse curtindo mais a vida se tratasse as causas do seu comportamento mais “isolado”. Mas já pararam para pensar que talvez a pessoa GOSTE mais de ficar em casa? Porque todo mundo tem que gostar de sair todo fim de semana? Porque ficar em casa jogando video game necessariamente é errado? Estou dando só um exemplo, aqui em casa nem temos video game – é só a título de demonstração mesmo kkk…
Estava vendo aquele canal Off que mostra esportes radicais e que virou febre. As imagens são lindas, as pessoas são jovens e bonitas, eles mostram diversos lugares do mundo, estimulando justamente que as pessoas viajem, pratiquem esportes radicais etc. Na propaganda, ouvi a seguinte frase: pratique sua paixão. Estava com a Marianinha no colo, com o Marcelo sentado ao meu lado. E disse: “amor, sabe o que é minha paixão? Isso aqui. Estar em casa com você, com a nossa nenê no colo, curtindo o feriado, assistindo uma tevezinha…” Claro que não pretendo ficar a minha vida inteira dentro de casa assistindo TV, mas porque cargas d’água o mundo hoje condena quem não está viajando, fazendo amigos, indo para festas e baladas, vivendo a vida loucamente como se cada dia fosse o último? Porque algumas pessoas acham que depois que tiverem filhos não vão mais poder “curtir a vida”? Veja bem: quem considera que curtir a vida é fazer o que quer na hora que quer, que curta a vida dessa maneira e ninguém tem nada com isso. Mas e quem sempre quis ter filhos, por exemplo? Não pode achar que está curtindo a vida mais do que nunca ao ficar em casa num sábado à noite assistindo ao soninho do seu bebê, mesmo que ele esteja agitado pra caramba e tenha levado quase uma hora para acontecer? kkkk…
Quando eu tive câncer lidei muito bem com o fato de não poder ir a um monte de festas e ter que cancelar viagens e trabalhos…Não acho que preciso de nada disso para ser feliz. Adoro quando posso ir, não me entendam mal. Adoro ir a festas, adoro viajar, adoro trabalhar. Mas não PRECISO ter tudo isso ao mesmo tempo e o tempo todo para ser feliz. Acredito que a felicidade é muito maior do que tudo isso, ela está dentro de nós. Precisamos aprender a colocar as coisas em perspectiva: durante o meu tratamento contra o câncer não vou poder ir a baladas. Depois que o tratamento terminar, volto a ir. Durante os primeiros meses do meu bebê vai ser mais difícil sair de casa, ir a festas e viajar como viajava antes. Quando ele crescer um pouquinho, tudo fica mais fácil de novo. Não, nunca mais será igual mas… quem disse que seria? Isso significa que você não vai mais curtir a vida? Para algumas pessoas sim – por favor, não tenham filhos. Hoje isso é perfeitamente aceitável. Para outras pessoas, porém, ter filhos É curtir a vida. É o meu caso. Não estou dizendo que seja fácil, que não tenha momentos de exaustão, de angústia, de irritação. Não estou dizendo que não tenha vezes em que fico triste por não poder comparecer ou ter comparecido a determinados eventos, claro que fico. Mas coloco as coisas em perspectiva e não trocaria isso por nada. Afinal, ser mãe não é uma obrigação, é uma escolha (outro dia vi essa frase em algum lugar seguida por: algumas pessoas precisam se lembrar disso – rsrsrsr – concordo).
O mundo hoje fala tanto em respeitar as diferenças, mas falta bastante para isso acontecer. Isso tem muito a ver com julgamento e por isso quando eu escrevi sobre ele já estava pensando nesse texto. Para algumas pessoas, ir a festas é vida. Essas pessoas normalmente são promoters,socialites ou mesmo só pessoas que vão muito a festas. Legal. Outras pessoas preferem ficar em casa. Legal. Um não tem que criticar o outro, concordam? Isso é respeitar as diferenças. Fala-se tanto em respeitar o deficiente, o homossexual, os mais velhos… mas tem coisas bem mais banais que precisam ser respeitadas também, com a mesma intensidade.
Vamos “pensar fora da caixa” – é importante as pessoas refletirem para se tornarem pessoas melhores. Outro dia ouvi que pessoas que gostam de animais são seres humanos muito melhores do que aqueles que não gostam. Foi uma pessoa muito influente da TV Globo que disse isso. Será que isso é verdade? Claro que não estou falando daquelas aberrações que MALTRATAM os animais, tá? Claro que isso demonstra um problema de caráter. Mas uma pessoa que ama cachorros é melhor que uma que não liga tanto para eles, tem medo ou simplesmente gosta, mas prefere não ter? Por que temos que respeitar quem escolhe não ter filhos mas não quem escolhe não ter cachorros? Voltamos ao ponto: existem diferenças bem básicas que precisam voltar a ser respeitadas. Já vi muita gente que ama animais e que diz que cachorros são muito melhores do que gente. Existe gente má e que faz coisas horríveis? Existe. Mas também existem pessoas maravilhosas que fazem o bem a milhares de pessoas. É justo generalizar que “bicho é melhor que gente”? Não acho. Claro que é mais fácil lidar com os animais, eles não frustram a gente, não emitem opiniões divergentes, não nos criticam, não nos condenam, estão sempre felizes quando nos vêem. Já vi gente que ama os animais e odeia as pessoas. “Que vantagem Maria leva?” De novo, o que é curtir a vida para você é uma questão muito abrangente. Para algumas pessoas é ter 15 cachorros na sua casa. Para outras, é não ter filhos, não ter cachorro e viver viajando. E… o que seria do verde se todos gostassem do amarelo, não é? De novo, fala-se tanto em respeitar as “grandes” diferenças (veja que usei entre aspas, ok?), mas muitas vezes não se respeitam diferenças muito mais básicas.
Ah… viajar… outro tópico. Já vi gente que adora viajar, mas já vi gente que encontra nas viagens a fuga para a sua vida que, de alguma maneira, é insatisfatória. Já vi gente que viaja porque prefere não ter que lidar com a vida que tem quando não está viajando. Será que isso é curtir a vida? Quem olha de fora pelo facebook e instagram pensa que o fulano tá curtindo a vida adoidado, né? Como digo sempre, refletir faz bem. Nem sempre as coisas são como parecem, nem sempre o que faz você feliz me faz feliz, nem sempre o que você faz com o seu marido dá certo com o meu e assim por diante. Viver a vida sem pensar nessas questões nos leva a sermos pessoas que julgam com mais freqüência, certo? E julgar drena nossas energias. Para não julgar, precisamos entender que o que faz uma pessoa feliz não é o mesmo que faz a outra – e não existe nada de errado nisso.
Vamos respeitar as diferenças, sejam elas grandes ou pequenas.
Carpe diem é aproveitar o momento, e a vida é feita de momentos. Mas como essa expressão é exaustivamente usada no meio publicitário, para vender alguma coisa, associou-se essa expressão a curtir momentos “incríveis”, sair, viajar, badalar, comprar… Curtir o momento também significa curtir a fase em que seu bebê é só um bebê, porque ela passa rápido. E mesmo se você deixar de fazer umas viagens ou ir a algumas festas e restaurantes, você está curtindo um outro momento. Curtir o momento também significa aproveitar aquele momento em que você está com o pé quebrado ou com qualquer doença para para ler mais, ficar mais com a sua família e pensar na vida. Esses também são momentos RICOS e temos que curtir todos eles, não só os das propagandas.
“O Deus que está em mim também está em você” – somos um! – vamos lembrar mais vezes disso.
Namastê.

Julgar?

8 de junho

Ai gente, vou ser sincera… Esse mundo me confunde! Fala-se muito em “não julgar”, mas muitas vezes quem mais fala é quem mais julga… Eu acho que, naturalmente, usamos exemplos alheios para reforçarmos nossas escolhas e comunicá-las aos demais e sinto que isso muitas vezes é confundido com julgar. Quando eu digo, por exemplo, que não concordo com algum comportamento de uma pessoa, isso é uma opinião. Estou querendo comunicar como me sinto a respeito de determinado assunto e uso algum exemplo para isso – acho isso normal. Existe uma grande diferença entre a discordância e a falta de respeito: não concordo, mas respeito. É importante diferenciar o julgamento do comportamento com o julgamento da pessoa: acho o comportamento errado, não a pessoa – percebe a diferença? Outra coisa que temos que considerar: hoje penso assim, mas posso mudar de ideia a qualquer momento. É importante que eu mesma saiba disso – e expresse – na hora de comunicar uma opinião (para que ela não vire um “julgamento”, no mau sentido da palavra). Afinal, cada um tem uma perspectiva sobre a vida, cada um foi criado de uma determinada maneira, cada um tem sonhos e valores diferentes. O importante é saber que, na maioria das vezes, nada é certo ou errado, são só diferentes maneiras de olhar para uma mesma coisa. Por que todo mundo tem que pensar igual, fazer igual, querer igual? Vejo muito isso desde que engravidei: é incrível como mães julgam umas às outras. Não é a divergência de opinião que eu citei acima, é julgamento mesmo, no mau sentido. Para mim, isso se justifica assim: toda mãe quer ter certeza de estar fazendo o que é melhor para o seu filho (certeza essa que, aceitemos, nunca vai existir, já que a criação de um filho conta com INFINITAS variáveis e é impossível isolar alguma para medir seu efeito no futuro – Helô economista falando). Claro que algumas coisas são muito óbvias, outras nem tanto. É nessas “nem tanto” que mora o perigo.Exemplo: o sono do bebê, tipos de parto, alimentação do bebê, mãe que trabalha x mãe que não trabalha, chupeta… Bom, como eu disse, toda mãe quer ter certeza que está fazendo o melhor para o seu filho e o que acontece é que o fato de outras mães estarem fazendo diferente confronta suas decisões. Aí, minha gente, preparem-se: é guerra. Sério, é guerra. É julgamento em cima de julgamento. É triste de ver, porque somos todos um… Todos viemos de Deus, todos fomos criados de pais que tentaram dar o seu melhor (com raras exceções), todos tentamos nos informar e tomar nossas decisões com base no seu estilo de vida, nos seus sonhos e objetivos, na sua estrutura familiar, no seu próprio nível de energia, nas suas condições financeiras, na sua maneira de ver a vida… Hoje em dia existe muita informação e quase tudo tem estudo embasando: existem estudos e correntes contra a chupeta, por exemplo, mas existem inúmeros outros a favor. Como disse acima, acho que todos temos direito de dar nossa opinião a respeito das coisas, mas tomando cuidado para evitar o julgamento ruim, aquele que desrespeita a pessoa, a família, que coloca as pessoas em patamares de “melhor que” x “pior que”. Isso cria separação, falta de amor, e somos todos um. Somos filhos de Deus, somos seres que buscam aprender nessa vida e que deveríamos colocar o amor uns aos outros em primeiro lugar.
Fico particularmente irritada quando vejo pessoas que falam o tempo todo que “não devemos julgar” querendo só impedir que os outros as julguem, porque elas mesmas julgam todo mundo… Muitas vezes tudo isso é muito velado, outras vezes é escancarado mesmo.
Estava lendo esses dias que o julgamento drena nossas energias, inclusive o julgamento de nós mesmos, como quando ficamos remoendo como fomos “idiotas” ao falar alguma coisa ou ao tomar determinada decisão. Somos duros conosco, não é? Especialmente nós, mães… Julgamentos realmente drenam nossa energia porque nos afastam de Deus, nos afastam do amor e da unidade que é nosso objetivo nessa vida. Cria a ilusão da separação “nós versus eles”. Para evitar esse desperdício de energia, cada vez que se pegar tendo um pensamento julgador (do ruim), repita para si mesmo: “eu escolho não julgar nada do que acontece”. Repita várias e várias vezes, todas as vezes em que perceber esse padrão. O alívio é imediato e, aos poucos, vamos mudando o foco e reafirmando nossa unidade. Vivemos melhor, com mais paz e mais amor – isso é ser feliz!
“O Deus que está em mim reverencia o Deus que está em você – NAMASTÊ”