3 anos sem quimio

22 de maio

Dia 17 de maio foi meu terceiro “aniversário” de final de tratamento. Em 17 de maio de 2012 terminei o ciclo de 8 quimioterapias que tirou o câncer de mim. Desde que fiquei doente, iniciei o tratamento e comecei o blog diversas pessoas me perguntam: o que mudou? Minha resposta hoje é diferente da minha resposta de 3 anos atrás. Lá, eu ainda não tinha muita consciência do que tinha mudado… ou mesmo certeza se tinha mesmo mudado alguma coisa. Eu dizia que as coisas que normalmente as pessoas respondem como dar valor à família, aos amigos de verdade e às pequenas coisas e alegrias do dia a dia, prestar mais atenção à saúde, refletir sobre a vida e sobre quem quer ser de verdade… todas essas coisas eu já tinha dentro de mim. Hoje eu sei o que mudou: eu sou muito mais forte, muito mais capaz de enfrentar dificuldades, muito mais compassiva quando vejo o sofrimento de outras pessoas e muito mais ativa quando percebo que preciso mudar alguma coisa na minha própria vida. É isso que mudou: eu me fortaleci. Eu era uma menina, hoje sou MULHER – com todas as letras maiúsculas mesmo. Ainda mais depois que me tornei mãe, mesmo depois de tantos médicos me dizerem que isso não iria acontecer.

Muitas vezes me pego pensando e nem parece que tudo aquilo foi comigo… olho algumas fotos e parece tudo tão distante! E muitas vezes nem quero lembrar. Mas é bom! É bom lembrar de tudo de tempos em tempos, lembrar de como somos muito mais fortes do que supúnhamos e como qualquer problema que possamos enfrentar agora pode ser pequeno.  É bom lembrar de quem estava sempre do nosso lado, tornando nossa jornada mais leve. É bom lembrar como temos que realmente dar valor ao hoje, às pessoas, à saúde e à vida em geral. Senão, vamos entrando novamente na “roda da vida” e nos esquecendo de como quase tudo que pode nos fazer sofrer é efêmero.

Outra coisa importante é a nossa integridade, a nossa lealdade à nossa própria verdade… consciência tranquila, sabe? Se a pessoa fica doente mas tem a consciência tranquila quanto à vida que leva fica tudo tão mais fácil… sem tantos remendos a fazer, coisas a consertar, pessoas a perdoar ou pedir perdão… Antes de descobrir o câncer eu ficava magoada com muitas coisas e com muitas pessoas. Hoje, sei que isso é perda de tempo e que a maior prejudicada com isso sou eu mesma. O perdão faz bem muito mais a quem perdoa do que a quem é perdoado, traz leveza, liberdade para seguir em frente com a vida sem ficar remoendo coisas do passado. Aliás, muitas vezes o “perdoado” nem sabe o quanto você sofre ou sofreu com o que ele fez! Já parou para pensar nisso? E você fica lá, “perdendo vida” remoendo enquanto podia estar “gastando vida” com coisas bem melhores e mais preciosas. É… depois que eu tive câncer eu penso muito nesses termos: ganhando vida versus perdendo vida. Ganhamos vida fazendo coisas que nos fazem feliz e que são justas para nós. Perdemos vida com picuinhas, mágoas, ressentimentos, preocupações e atitudes que não refletem nossa verdade. Trabalho nisso frequentemente e tenho certeza que tenho melhorado, mas tenho ainda mais certeza que ainda tenho muito a melhorar!

Muitas vezes me pego pensando sobre qual é a minha missão, meu propósito na vida, especialmente com este blog que tanto ajudou pessoas passando por momentos difíceis. Sou muito grata pela oportunidade de ter podido ajudar dessa maneira, estando a serviço de um bem maior… Tenho gravado vídeos ensinando meditações, fazendo reflexões e estimulando reflexões nas pessoas… mas porque? Por que quero ajudar as pessoas a ganharem vida mais do que perdê-la aos poucos, mesmo sem estar doente. Quero ajudar as pessoas a transformarem momentos difíceis exatamente nisso: momentos. Quero justamente ajudar as pessoas a se fortalecerem diante das dificuldades ao invés de se tornarem vítimas passivas delas. É isso que eu quero, é esse o meu sonho. Eu consegui passar por um momento difícil na minha vida com leveza e tenho muita vontade de ajudar as pessoas a fazerem o mesmo. É claro, não é tão simples quanto parece, mas se eu conseguir melhorar a vida de uma só pessoa já terá valido a pena. Como eu digo sempre, essa possibilidade me dá um certo motivo para tudo que passei. E eu penso nisso tudo justamente em momentos como esse, o terceiro aniversário sem quimioterapia.

Lembranças… esse videozinho é feito de lembranças desde a primeira internação até o momento em que comemorei os últimos exames que mostraram que meu tratamento poderia se encerrar ali (lembrando que ainda faço exames de controle por mais dois anos 😉 .



No dia 11 de abril foi publicada uma reportagem com a minha história no G1 da Globo. Para aqueles que acessam o blog pela primeira vez ou mesmo aqueles que querem se lembrar e ver a história toda contada de uma só vez, vale a pena! Está muito bem escrita, fiquei muito feliz com o resultado da matéria. Muito obrigada Suzana Amyuni pelo carinho!

http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2015/04/modelo-descobre-cancer-abre-mao-de-desfiles-mas-nao-desiste-de-ser-mae-piracicaba.html

Beijos!

 

Dia 08 de abril é Dia Mundial de Combate ao Câncer. Durante todo o mês de abril encontramos artigos, entrevistas e palestras sobre esse tema. Esses dias me perguntaram se eu conseguiria resumir os conselhos que eu poderia dar a um paciente com câncer em uma palavra e, por incrível que pareça, eu consegui! Essa palavra é AMOR.

Mas, como não sou mulher de poucas palavras kkkk, explico…

Para mim, o amor é dividido em 3 pilares essenciais: amor a Deus, amor à sua vida (amigos, família, trabalho) e amor a você. Nesse vídeo eu falo sobre todo esse amor e ensino uma meditação para trazer essa energia do amor para a sua vida.




Se você gostar, espalhe por aí! Quem sabe essas dicas simples podem ajudar a melhorar o dia de alguém. Vamos distribuir amor!!!

 

Renascimento

6 de abril

Oi pessoal! Ontem foi Páscoa, símbolo maior de morte e ressurreição, transformação, renascimento. É interessante pensar que qualquer mudança exige que algo morra ou seja destruído para que outra coisa nova tenha espaço para florescer. Toda transformação traz consigo uma morte e pensar dessa forma nos traz mais tranquilidade para lidar com términos na nossa vida. Coincidentemente ontem também foi a mudança da lua: a lua cheia marca o início da fase minguante (dividimos em apenas dois períodos – um que se inicia quando a lua torna-se cheia e começa a minguar por 14 dias e outro quando ela torna-se nova e começa a crescer por 14 dias). A fase minguante da lua é favorável para nos livrarmos de coisas que não queremos mais nas nossas vidas, coisas que não nos servem mais. Limpamos e abrimos espaço para que coisas novas e melhores possam chegar; abrimos espaço para manifestação. É o mesmo sentido da Páscoa para mim: nos livramos de velhos hábitos, vícios e comportamentos que não nos servem mais, abrindo espaço para que Deus traga a transformação, coisas novas e melhores para as nossas vidas.

No vídeo de hoje falo um pouco sobre isso e ensino um mudra e uma meditação para esse período! Observação importante: grávidas não devem fazer esse mudra, ok? Pode fazer a meditação, mas não o mudra 😉



Espero que gostem! E vou adorar ler os comentários de vocês depois 😉

Beijos, boa semana!

A dica dessa semana é esta: mais ação, menos reação! Acho que todo mundo já reagiu por impulso a algum tipo de agressão, como um vendedor mal educado, por exemplo, e depois ficou se perguntando porque foi deixar o sangue subir à cabeça daquele jeito, se sentindo mal por ter reagido de uma maneira que não é a sua maneira usual de se comportar. Isso acontece quando o BOP – Body of Pain – toma conta e o que prevalece é o nosso instinto animal. O BOP é um conceito meio complexo mas, resumidamente, é aquela parte irracional de nós marcada por experiências anteriores que nos tira do sério, nos faz agir pelos motivos errados, reagir como não deveríamos e não gostaríamos de reagir, tomar decisões impensadas e equivocadas etc. Qualquer prática espiritual, usando as palavras que preferir usar para definir isso, visa reduzir a atividade do BOP e, assim, fazer com que nos tornemos seres mais evoluídos e amorosos, agindo mais e reagindo menos.

Quando simplesmente reagimos sem pensar, estamos sendo um espelho da outra pessoa, o que significa que não estamos sendo nós mesmos, quem gostamos e escolhemos ser – o que nos torna vulneráveis ao outro e às situações que se apresentam a nós e menos “senhores do nosso próprio destino”, como marionetes; mais instáveis emocionalmente e mais sujeitos a arrependimentos também. À medida que evoluímos como pessoas e como seres espirituais que somos, o ideal é conseguirmos fazer nossa consciência falar mais alto e, frente a qualquer fato desagradável, respirarmos e tomarmos um momento para pensar: “como devo agir nessa situação?”. Quando fazemos isso, invariavelmente o resultado é muito mais positivo. Devemos nos perguntar como trazer luz à situação, como trazer amor, como resolver o problema ou amenizá-lo. Quando simplesmente reagimos, não raro estamos piorando a situação, ou pelo menos mantendo-a como está, sem qualquer melhora. E isso é sem dúvida um desperdício de tempo, energia e vida!

No vídeo dessa semana, ensino um mudra para mandar a raiva embora antes de reagir! Sem a influência da raiva, conseguiremos AGIR como queremos, sendo mais donos da nossa própria vida. Vou adorar ouvir de vocês, saber o que acharam do mudra e se já tinham pensado sobre ação e reação dessa forma! (Clique no link abaixo para ter acesso ao vídeo – espero conseguir consertar e colocar o vídeo diretamente aqui em breve kkkk)

Beijos, boa semana!
Namastê!