Kabbalah: Código 12

24 de agosto

Hoje é o último dos códigos da Kabbalah, o código 12:

“Love and protect life. Spread peace and harmony. In no way be aggressive”

“Ame e proteja a vida. Espalhe paz e harmonia. De forma alguma seja agressivo.”

Este código fecha os 12 códigos que servem como cadeados que, abertos um apôs ao outro, nos levam ao crescimento espiritual. Afinal, somos seres espirituais tendo uma experiência material, certo? Com certeza, esses códigos melhoram nossas vidas e as vidas das pessoas ao nosso redor, nos ajudando a ser LUZ no mundo. E o que o código 12 quer dizer, em mais detalhes? Amar e proteger a vida tem inúmeros desdobramentos… podemos pensar em proteger nossas próprias vidas, cuidando da saúde e da alma, em proteger as vidas daqueles que amamos e de todos os seres. Essa proteção não é só em termos de proteção física, mas também no sentido de cuidado com o próximo, com a humanidade, com o respeito à liberdade que cada indivíduo nasceu para ter. Para mim, esse código é difícil no sentido de que sempre haverá no mundo pessoas precisando de proteção em algum sentido, e podemos nos sentir sobrecarregados com o peso dessa responsabilidade e a dificuldade dessa tarefa se pensarmos assim. Mas aí, acredito em algo bem simples: uma coisa de cada vez, a começar pelo mais próximo. Se cada um de nós tiver essa responsabilidade com aqueles que nos cercam, estaremos fazendo a nossa parte e espalhando a luz. Claro, se pudermos ir mais adiante, ótimo. Mas começar de onde estamos é muito mais valioso do que talvez possamos imaginar, e podemos fazer isso espalhando paz e harmonia e evitando a agressividade. Até que é simples quando dito, mas e para colocar em prática, né? A palavra de ordem é sorrir! O sorriso envia mensagens ao nosso organismo e a todos aqueles que nos vêem, espalhando energia positiva, luz, amor e paz. É infalível! Um jeito simples de começar essa missão.

Como prometido, depois do décimo segundo código, aqui vão todos eles, para pregar num cantinho visível e tentar praticar todos os dias:

1) Seja grato e agradecido

2) O poder do serviço

3) Ame o que é bom, ignore o que é ruim

4) Seja bondade, justiça e compaixão; nunca critique ou seja invejoso

5) Seja paciente, calmo e tenha consideração, nunca entregue à raiva ou orgulho

6) Seja puro, compassivo e gentil, nunca use ironia

7) Seja confiante, satisfeito e aberto aos outros, não duvide ou seja invejoso

8) Seja moderado em todas as coisas, evite excessos

9) Seja humilde, bom, modesto, generoso e respeite o próximo, nunca seja rancoroso/ vingativo

10) Seja verdadeiro em palavras e ações, diga a verdade, nunca minta ou  calunie, a verdade o libertará

11) Seja útil (à disposição para ajudar) e tenha consideração por tudo que existe, nunca engane ou traia ninguém

12) Ame e proteja a vida, espalhe paz e harmonia e de forma alguma seja agressivo

Já escrevi um post detalhando cada um desses códigos, é só buscar por “Kabbalah” em “Encontre aqui”. Cada um deles tem desdobramentos e diversas discussões e dúvidas que podem surgir, por isso é legal reler: ler só o código em si pode soar controverso ou ambíguo. Enfim, com certeza ter os códigos como guia para a nossa vida só vai ajudar a melhorá-la e a sermos mais felizes. Encerra-se aqui a discussão sobre os códigos, mas que eles não se encerrem para nós no dia a dia!

Namastê!

A dor

13 de agosto

Esses dias um assunto veio se repetindo na minha vida: a dor. Por que negamos, temos medo, evitamos a dor? Claro, a dor dói (! rsrs), machuca e ninguém quer se machucar. Mas daí a negar a dor ou tentar evitá-la a todo custo pode trazer e traz diversas consequências para nós e para a sociedade como um todo. Vou separar as situações em que a dor vem aparecendo na minha vida para comentar cada uma… e no final dou meu pensamento final sobre tudo isso!

Primeiro, ao pensar e discutir sobre o parto normal, natural ou cesáreo, entramos nessa discussão sobre a dor. Muitas mulheres têm medo da dor do parto e acreditam que podem evitá-la ao optar pela cesárea. Veja bem, eu não estou dizendo que todas as cesáreas são porque as mulheres querem evitar a dor, hein? Estou dizendo que algumas delas sim, isso é fato. Não vou discutir aqui se a cesárea também tem dor (nos dias seguintes, com a recuperação), afinal, o post não é sobre isso. E ainda não sei como será o meu parto. Mas tivemos essa discussão: porque não podemos sentir dor hoje em dia? Acredito que primeiro porque acreditamos que a dor é sinal de que algo está errado e temos que fazer algo a respeito para “consertar” ou evitar isso a todo custo. O engraçado é que, às vezes, as mesmas pessoas que evitam a dor de uma forma não hesitam em sentí-la de outras: plásticas, academia exaustiva (daquelas de não conseguir andar por 3 dias depois) e outras coisas assim. Pode ser que a dor nos fortaleça e nos torne mais humanos, ainda mais nesse caso, por um motivo tão nobre. Tentar passar pela vida sem sentir dor é uma utopia que vai acabar gerando frustração. Mas vamos ao próximo ponto…

Fui ao velório e enterro do meu avô e ouvi uma pessoa dizer que alguém não tinha ido porque não gostava de velórios e até contou uma história dizendo que outro dia um menino de 15 anos viu uma pessoa muito doente e passou mal depois, desmaiou, bateu o queixo e teve até que dar ponto. Eu entendo, porque já passei mal também ao ver uma pessoa muito doente. Eu respeito, acho que cada um sabe de si. Mas, pessoalmente, não concordo. Acredito que somos muito mais fortes do que pensamos e que é importante sabermos que a vida também é feita de sofrimentos, tragédias, doenças e dor, infelizmente. E temos que aprender a lidar com isso. Alguém gosta de velórios? Creio que não. Então, porque ir? Para manifestar apoio à família (lembra do poder da presença?), nem que nem veja o morto. Para assimilar a informação de que a morte é uma das poucas coisas na vida de que temos certeza. Para entender que às vezes estar fora da nossa zona de conforto nos faz mais fortes e mais humanos. E, por fim, acredito que esses rituais sejam um “fechamento” de um ciclo e quem o presencia assimila melhor esse ciclo. Também acredito que devemos sim ver essas coisas porque cedo ou tarde na vida vamos nos deparar com situações difíceis, de dor e sofrimento. O que será de nós se sempre tivermos negado essas situações? Sairemos correndo? Abandonaremos o barco? Na minha opinião (e eu sei que isso é controverso e que muitas pessoas podem discordar – com todo direito), temos sim que aprender que a dor, o sofrimento, a morte e a doença fazem parte da vida das pessoas em geral, da sociedade, do mundo. Acredito nisso porque acho que assim nos tornamos mais solidários, mais altruístas e mais humanos. E também mais fortes e mais resilientes. Acho que o fato de hoje quase não termos mais aquelas casas em que os avós vinham morar quando ficavam velhinhos e em que as mulheres cuidavam dos doentes como uma coisa normal e natural (porque hoje todo mundo trabalha e eu não estou discutindo isso) faz com que principalmente a juventude olhe para a doença e para a velhice como uma coisa muito horrível, querendo evitar. E isso aumenta os casos de depressão, de isolamento, abandono… Uma ressalva: não estou dizendo para as mulheres pararem de trabalhar e cuidarem dos idosos e doentes, ok? Sei que isso hoje é uma necessidade na maioria das vezes e que o mundo mudou e vai continuar mudando. Só acredito que a reflexão faça bem, pensar porque temos tanto medo dessas situações.

Outra situação parecida foi uma pessoa que me disse que, se eu tinha ficado tão triste de ver meus avós (porque eles pioraram muito de saúde nos últimos tempos e, quando eu vi, no começo do ano, chorei muito e sofri mesmo – foi tudo muito rápido), não deveria ir vê-los de novo (eu queria voltar dois dias depois, já que era caminho de onde eu estava). Já a minha crença é que eu sou adulta e tenho que aprender a lidar com isso, administrar meu sofrimento, em prol de um bem muito maior, que é demonstrar a eles, pelo simples poder da minha presença, que eu estava lá com todo o meu amor e todo o meu coração. Eu acredito, de verdade, que as pessoas podem sentir isso sem você ter que fazer muita coisa, pelo simples poder da presença mesmo.

Também conversei com a minha psicóloga sobre musiquinhas e historinhas de criança que falam de bicho papão e coisas afins. E o que ela me disse (e com o que eu concordo) foi: é importante que as crianças saibam e aprendam desde cedo que existe sim bicho papão. Só assim elas saberão criar defesas e se proteger. É muito triste que existam maldades e sofrimentos na vida? Sim. Gostaríamos que não existissem? Sim. Mas existem e, pela natureza humana, sempre vai existir. Doenças, desastres naturais,  violência… isso faz parte da vida e é importante saber se defender e saber lidar com a frustração. A vida não é sempre boazinha com a gente, com todo mundo passando a mão na sua cabeça e deixando você fazer tudo que tem vontade (até porque muitas vezes isso trará prejuízo a outras pessoas). Escuto muito que essa nova geração para a qual os pais nunca diziam não simplesmente não sabem lidar com as frustrações da vida. E aí, como vai ser num emprego, num casamento, numa crise, num tropeço?

Por último, estou lendo um livro fantástico chamado “O Efeito Sombra”, do Deepak Chopra, Marianne Williamson e  Debbie Ford. Ele fala justamente sobre essa necessidade de “vencer todo e qualquer mal”, incluindo traços da nossa personalidade que gostaríamos de não ter e “defeitos” sociais que tentamos esconder porque não gostaríamos que existissem. O livro diz que “a sombra” se fortalece com a nossa negação ao invés de diminuir ou sumir, como gostaríamos. Também diz que o caminho para lidar melhor com ela é fazer dela uma aliada, é assumir a sua existência e usar o seu poder a favor do que pode ser usado. O bem e o mal são lados da mesma moeda e, existindo a moeda, sempre vai haver dois lados dela. Sempre teremos sentimentos ruins como raiva, rancor, medo, angústia, inveja… e tentar esconder isso só vai fortalecendo esses mesmos sentimentos. Da mesma forma, tentar esconder as mazelas da vida vai torná-las mais fortes contra nós ou, em outras palavras, tornar-nos mais fracos perante elas. Ao contrário, reconhecê-los, entendê-los e trabalhá-los nos fortalece e dignifica.

Estou discordando e não estou julgando com esse post quem não canta as musiquinhas de bicho papão para o seu filho, quem escolheu fazer cesárea para evitar a dor, quem não vai em velórios e nem quem quis evitar o meu sofrimento ao ver meus avós doentes dizendo para eu evitar passar lá. Entendo que essas pessoas pensam estar fazendo o melhor e que foi assim que elas aprenderam, foi isso que foi passado para elas nas vidas delas. Só estou colocando a minha opinião a respeito de tudo isso e minha opinião é: a dor existe e vai continuar existindo, sempre. Podemos tentar escondê-la debaixo do tapete (e aí ela se fortalece sem nem sabermos) ou podemos nos esforçar para lidar melhor com ela, aprender novas formas de diminuí-la e sairmos mais fortes e humanos de tudo isso. Claro que eu adoraria que a minha Nininha, ainda na minha barriga, não precisasse lidar com o sofrimento na sua linda e iluminada vidinha. Mas também não gostaria que ela fosse vítima dele, e é por isso que eu rezo de coração que Deus me dê luz para eu saber diferenciar quando a estiver poupando de sofrimentos para fortalecê-la ou para enfraquecê-la.

Namastê!

Meu post hoje veio atrasado…. Infelizmente, passamos esse Dia dos Pais nos despedindo do meu avô Hugo Orsolini, esse que foi um pai querido e avô tão sorridente e carinhoso que sempre tivemos, sempre nos esperando com um sorriso largo e braços abertos, com suas piadas históricas, com seu jeito despachado e humor cortante que deixou de herança para todos nós…

Escolhi algumas fotos do dia do meu casamento para ilustrar esse post. Que felicidade me dá saber que ainda pude tê-lo com saúde e alegria nesse momento tão importante da minha vida. Hoje o post é em homenagem especial a ele, que deu origem a isso tudo…

IMG_0108_3

É exatamente assim que quero me lembrar dele.

IMG_9177

Alegre vendo a continuidade da sua família, com amor! 

E não poderia deixar de homenagear mais dois pais: o meu, filho do “Dr. Hugo”, que me levou ao altar e que sempre me levou e ainda leva na vida algumas vezes, com suporte incondicional, bravo quando precisa, alegre e amoroso em todos os outros momentos…

IMG_0178_4

E ao meu marido amado, que com certeza será um pai excepcional para a nossa pequena que está chegando, com todo o amor que tem no coração, com toda essa alegria e carinho que consegue passar a todos que o conhecem.

IMG_9862

Amo vocês três, muito!!! Vôzinho, descanse em paz, sabendo que todos nós te amamos muito.

 

Sentir x demonstrar

3 de agosto

Esses dias vi uma frase em alguma mídia social que me chamou a atenção, porque era uma coisa na qual eu estava pensando: “Às vezes quem menos demonstra é quem mais sente”. Na verdade eu estava “em dúvida” porque tem uma pessoa que eu sei que tem sentimentos fortes e bons, mas em algumas situações ela parece uma pedra de gelo. Parece que todo mundo fica mais feliz que ela com uma notícia realmente boa, ou seja, a impressão que dá é que ela não está ligando a mínima para aquilo tudo. E, no fundo, eu sei que isso não é verdade. Por um lado, sou contra demonstrações excessivas de sentimentos que muitas vezes são feitas só para mostrar para o mundo “olha como eu sou boa, eu sinto mais que todo mundo”. Por exemplo, quando tem alguém chorando demais num velório e alguém mais contido, não necessariamente quem está chorando mais é porque gostava mais do morto, certo? Pode ser até que essa pessoa esteja com sentimento de culpa porque não deu a devida atenção ao outro quando estava vivo… vai saber? E o mais contido pode estar em paz por saber que fez tudo que podia para aproveitar a presença do outro na sua vida. O que estou querendo dizer é que eu sei que existem pessoas que demonstram muito mais do que sentem de fato, ao mesmo tempo que existem pessoas que sentem, mas não demonstram. E que não cabe a nós julgar quem sente de fato mais ou menos só com base no que a pessoa demonstra na hora. Mas, na verdade, minha vontade com esse post é responder à frase que li: “Às vezes quem menos demonstra é quem mais sente”? Então, acho melhor aprender a demonstrar, de qualquer forma que seja. Sabe porque? Primeiro, porque quando sentimos alguma coisa e não a demonstramos, estamos gastando uma energia enorme – mesmo sem saber – para conter essa emoção. Pode ser que no fim do dia nos sintamos exaustos e nem saibamos o motivo. Eu sei porque já fui assim. É muito difícil para mim demonstrar sentimentos em algumas situações, quando estou cara a cara com as pessoas, ao vivo e em cores. Sabe o que eu descobri? Que eu posso demonstrar meus sentimentos por escrito. Às vezes, além do que me esforcei para demonstrar ao vivo (porque para mim não é uma coisa fácil, mas já aprendi que é importante), mando um bilhetinho depois, um e-mail, uma mensagem de texto… ressaltando como realmente fiquei feliz, emocionada ou agradecida com aquela notícia, ação etc. Para muitos sentimentos, escrevo no blog. Acredito que ao “esconder” sentimentos estamos retesando energia.

Em segundo lugar, quando sentimos e não demonstramos, na maioria das vezes achamos que o outro sabe que estamos sentindo aquilo e que deve responder de acordo com isso. Mas o fato é: ninguém é obrigado a adivinhar o que sentimos se não expressamos isso de alguma forma. Ninguém é obrigado a saber que você ficou agradecido por alguma coisa que tenha feito por você se você não disser. Ninguém é obrigado a saber que você ficou feliz com a sua presença se você não demonstrar. Ninguém é obrigado a saber que você o ama se você não deixar esse sentimento claro – da maneira que for mais fácil para você. Ninguém é obrigado a saber que você ficou feliz com uma notícia se você não mostrar. E não adianta ter a expectativa que a pessoa reaja de acordo com o seu sentimento – ao invés de reagir de acordo com o que você demostrou. Afinal, as pessoas não tem bola de cristal. Aprendi muito isso quando fiquei doente. Eu não sabia agir com os outros quando os outros estavam doentes ou passando por problemas, porque queria ser muito discreta, não sabia se a pessoa ia gostar que eu ligasse ou perguntasse sobre aquele problema… Acabava ficando quieta, mesmo que estivesse super preocupada e rezando muito por ela. Só que ninguém sabia que eu estava fazendo/ sentindo isso e eu passava a imagem de uma pessoa fria e desinteressada.  Quando fiquei doente, vi que as pessoas que perguntava, ligavam e visitavam pareciam de fato muito mais interessadas e mesmo sentirem mais carinho por mim. E percebi que, se eu quisesse que as pessoas entendessem que eu sentia aquele carinho também por elas, teria que aprender a demonstrar melhor. Inclusive, uma vez minha mãe me disse que às vezes alguém ia me visitar com algum presente, por exemplo, e parecia que eu não estava nem aí. E eu super estava! Ou seja, eu precisava aprender a demonstrar melhor. Como para mim isso é mais difícil no “cara a cara”, hoje sempre lembro de deixar registrado por escrito para a pessoa (ou através de um telefonema) o quanto eu fiquei feliz e grata por aquilo que ela fez. E isso tornou meus relacionamentos muito mais equilibrados e “justos”. Digo justos porque quando sabemos que sentimos algo e ninguém vê, nos sentimos de certa forma injustiçados e incompreendidos.

Portanto, minha dica de hoje é: se você sente alguma coisa mas não demonstra, ninguém vai saber. E você pode perder uma oportunidade incrível de ter relacionamentos mais equilibrados e se sentir muito melhor com a sua vida! Eu posso dizer que sou muito mais feliz hoje!!!  Apesar de ainda sentir que poderia demonstrar mais e melhor!

Namastê! Boa semana a todos!!!

É engraçado mesmo, as perguntas sempre rondam nossas vidas… Quando estamos solteiras a pergunta é quando vamos arrumar um namorado, depois quando vamos casar, quando vamos ter filhos… Já sabemos que depois do primeiro filho a pergunta é sobre se queremos ou quando iremos ter o segundo. Mas tem também uma série de perguntas nesse intervalo, perguntas que nem sempre sabemos responder (e algumas que nem sabíamos que existiam!)  Uma delas é: como vai ser o seu parto?

Bom… em primeiro lugar, como eu sempre digo: sou contra radicalismos em quase tudo na vida. Saber como vai ser o parto ninguém sabe, porque até lá mil coisas podem acontecer e influenciar esse momento. Não vou ficar escrevendo aqui sobre a porcentagem de cesarianas versus parto normal no Brasil e no mundo e em como esse valor atinge níveis exorbitantes aqui. Afinal, esse não é um site médico nem de informações técnicas. Pensei bem antes de escrever porque sei que esse é um assunto muito polêmico e muita gente até perde as estribeiras quando se fala nisso. Então, vou começar pelo começo!

Graças a Deus (e à medicina rsrsrsrs) que existe a cesariana, ela salva muitas vidas e tem um valor inestimável. Porém, ela não é necessária sempre. Como saber quando ela é ou não necessária? Quais são os mitos e verdades que rondam essa escolha? Quais são os benefícios para a mãe e o bebê de ter parto normal ou de ter a cesariana? Como se preparar para ter suas primeiras opções respeitadas na hora do parto e só se for realmente necessário partir para as segundas opções? Essas dúvidas chegam a toda grávida que eu conheço. Algumas têm uma opinião formada, baseada em crenças e valores pessoais, outras não. A minha opinião é que é importante conseguirmos obter essas informações de fontes imparciais, ou seja, de pessoas ou meios de informação que não tenham interesses pessoais nas nossas escolhas.

Por todo o meu histórico, vocês devem imaginar que eu prefiro ter um parto normal. Porém, vou repetir: só vou saber se isso vai realmente ser possível na hora e, se não for possível, não tenho nada contra fazer uma cesariana e, mais que isso, sinto uma imensa gratidão por existir essa opção que pode salvar a vida de mães e bebês. No entanto, percebo que para ter certeza que essa opção vai ser a escolhida somente no caso de real necessidade, preciso me informar muito e me empoderar das minhas preferências, caso contrário corro o risco de alguém me dizer que é necessário ou preferível por x, y ou z motivo e eu acreditar, sem ser exatamente o caso, por estar naquele momento fragilizada, com dor, ansiosa e cercada por pessoas que podem estar ainda mais ansiosas que eu (como o marido, por exemplo rsrsrsr).

Esses dias procurei uma doula. Traduzindo, doula quer dizer “mulher que serve”. É um resgate de quando os partos eram apoiados por mulheres que já tinham passado por aquilo, que davam suporte físico, mental, emocional… formando uma “comunidade”. Sinto que hoje temos o cuidado físico muito estruturado, com excelentes médicos que nos dão todo o suporte e carinho quanto à nossa saúde e a saúde do bebê. Porém, a parte mental e emocional pode ficar desassistida. Estamos diante de milhares de informações, milhares de blogs na internet, de mães de todos os lugares dizendo que isso ou aquilo é melhor assim ou assado. Esse excesso de informações pode gerar muita ansiedade e angústia, além de confusão mental. A gravidez é um período que pode ser lindo, a preparação para a chegada de um novo ser na vida da família e do casal, a expressão maior do amor! Ou pode ser um período cercado por medos, conscientes ou não. Muitas vezes, é as duas coisas. Afinal, uma coisa é inegável: a vida vai mudar! E muito. E ninguém está preparado para essa mudança antes dela acontecer. Como podemos nos preparar, então, da melhor maneira possível para que esse bebê chegue num ambiente de acolhimento, de amor, de paz, de respeito? A doula é uma mulher que vai cuidar um pouco desses aspectos mentais e emocionais não só da mulher, mas do casal, dando espaço para as nossas emoções e sentimentos mais malucos que podem surgir e que, se não forem olhados e estruturados, podem tornar a gravidez, o parto e a própria chegada do bebê no dia a dia muito mais complicados.

O que quero dizer com esse texto todo? Que a preparação para o parto envolve diferentes aspectos e que se algum deles não for olhado com carinho e cuidado podemos nos sentir fragilizadas e frustradas. E podemos nos sentir o contrário: fortes, imbatíveis, incríveis, capazes de carregar e trazer ao mundo um novo serzinho cheio das suas próprias questões existenciais… Eu sempre imaginei que minha gravidez seria um período em que eu iria praticar yoga, meditação, pilates, me preparar muito física, emocional e espiritualmente… Quando percebi, estava no quinto mês e estava sendo engolida pelas demandas do dia a dia, sempre deixando esses cuidados para depois. E aí me dei conta de quanto esse momento foi sonhado, esperado, desejado… de quanto esse momento, levando em conta tudo que já passei, é um milagre. E o quanto eu me sentiria frustrada se olhasse para trás e sentisse que não dei a devida atenção a todas essas mudanças e acontecimentos. Comecei a estruturar melhor o meu dia, separar um tempinho para as minhas práticas diárias de yoga e meditação, leituras que me alimentam espiritualmente e emocionalmente, pilates, a escolha de uma doula e encontros com ela e tudo o mais que eu achar bem vindo nessa etapa da minha vida. Quando o momento do parto chegar, vou saber que fiz tudo que sempre imaginei que poderia ter feito para me preparar melhor para esse momento e para a chegada da minha filhinha. E seja qual for o tipo de parto, normal ou cesariana, ele terá sido o melhor.

Namastê!